Além do apagão, pode vir o "sujão"

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pode aproveitar-se do racionamento de energia, a ser posto em prática a partir do dia 4 pelo governo federal, para iniciar o racionamento de água na cidade sem abalar a imagem do governo do Estado.A estratégia foi revelada por técnicos da empresa que pediram para não ser identificados. "A Sabesp, como qualquer empresa, terá de reduzir o consumo de energia em 20% e, para isso, terá de desligar os motores das estações de tratamento de água, de estações elevatórias e os boosters (bombas de pressão), o que será uma boa desculpa para cortar, em dias alternados, o fornecimento a 9 milhões de pessoas", disseram.Segundo os especialistas, isso justificaria um racionamento de água do Sistema Cantareira, que é inevitável. Nesta terça-feira, o nível do reservatório estava em 35,3% - 0,2% a menos do que na segunda-feira. A presidente do Sintaema, sindicato que reúne funcionários da Sabesp e da Cetesb, Elisabeth Tortolano, disse que oficialmente não tem conhecimento dessa estratégia."Mas não é impossível que isso esteja sendo planejado para esconder a falta de investimentos na captação de água para atender à crescente demanda, principalmente porque no ano que vem teremos eleições", disse. Em sua opinião, "é péssima a situação em que se encontram os mananciais da cidade, e o racionamento no Sistema Cantareira realmente é inevitável".Elizabeth explicou que esse sistema é bianual, ou seja, "o reservatório leva dois anos para baixar seus níveis de armazenamento e outros dois anos para encher".Para ela, "a Sabesp já deveria ter incluído o Sistema Cantareira no racionamento do ano passado, mas como era um ano eleitoral e mais de 9 milhões de pessoas ficariam sem água, a empresa preferiu deixar de lado, apostando nas chuvas do verão deste ano, que foram insuficientes para melhorar a situação dos mananciais"."Adiar o racionamento por motivos políticos é uma verdadeira bobagem, um absurdo", reagiu Sérgio Lapastina, da assessoria de Imprensa da Sabesp."Temos conhecimento de que o racionamento de energia vai afetar o abastecimento de água, mas a Sabesp está participando dos planejamentos, para que o corte de energia numa área onde está localizada uma estação elevatória ou de tratamento seja o menor possível", acrescentou. Lapastina confirmou que a situação dos mananciais é preocupante, mas que as chuvas deste mês e a redução em 10% no consumo contribuiram para que o racionamento fosse prorrogado. "Se houver o racionamento de água será por motivos técnicos", disse.

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