Alemão é indiciado por morte de professora

O economista alemão Heinz Stephan Ochlenschlager, de 48 anos, foi indiciado hoje pela morte da professora de geografia Ana Conceição dos Santos, de 32 anos, com quem vivia há três. Ontem à noite a mulher foi encontrada enforcada, com os pés a um metro do chão, no jardim de inverno da cobertura do estrangeiro, em Copacabana, zona sul do Rio, onde morava o casal. O corpo apresentava sinais de espancamento.Apesar de alegar inocência, o economista - que se diz aposentado - responderá por homicídio qualificado por motivo fútil e, se condenado, deve receber uma pena de 12 a 30 anos de prisão. Segundo a polícia, ele chegou à 12.ª DP bêbado, com uma lata de cerveja nas mãos. Por isso foi levado para o Hospital Miguel Couto, onde recebeu glicose, e está preso na sede da Polinter. O depoimento de Stephan foi acompanhado pelo cônsul da Alemanha no Rio, Gerd Lothar Zeiler, a pedido da polícia.Vizinhos disseram que o economista - há 15 anos vivendo entre o Rio e a Alemanha - é uma pessoa violenta, bebe muito, costuma dar tiros para o alto para comemorar vitórias do Botafogo e brigava constantemente com a companheira. Um casal que mora no prédio em frente, e não quis se identificar, testemunhou a morte e chamou a polícia. Eles ouviram três tiros e viram, pela janela, Ana e Stephan discutirem. Em seguida viram o corpo, já pendurado pelo pescoço, sendo puxado para baixo pelo alemão. Depois, com binóculos, observaram-no andar calmamente pelo apartamento.LutaAo chegarem ao prédio, no número 160 da Rua Barata Ribeiro, os policiais foram informados de que os tiros vinham da cobertura 3. Eles arrombaram a porta, pois o economista não encontrava as chaves. O apartamento estava revirado, com sinais de luta corporal, latas de cerveja espalhadas e muito sangue. Nenhuma arma de fogo foi apreendida.A corda usada no enforcamento foi comprada pelo alemão em Belford Roxo, Baixada Fluminense, onde vive a família da morta, e serviria para fixar uma rede de dormir. Ao deixar o prédio, o alemão foi chamado de "assassino" pelos vizinhos. Descalço, Stephan prestou depoimento na 12.ª DP na manhã de hoje. Frio, disse que chegou em casa às 22 horas do domingo, após ter jantado com a mulher e amigos num restaurante no Flamengo, zona sul, onde beberam duas garrafas de vinho. O alemão afirmou ter ouvido três tiros e se deparado com o corpo de Ana ao sair do banheiro, onde permaneceu por 10 minutos. Então, acionou a polícia pelo telefone. Ele alegou que os hematomas da companheira são resultado de um acidente de automóvel sofrido há uma semana e exibiu ferimentos nas pernas para reforçar a história. Segundo o economista, um massagista que atendeu Ana há dias atrás poderia confirmar sua versão.

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