Tasso Marcelo/AE
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Alerta para desabamentos funciona no Rio, mas moradores ignoram sirene

Eduardo Paes admite que funcionamento do sistema ainda não é ideal; uma pessoa morreu

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2011 | 18h24

RIO - O sistema de sirenes de alerta para o risco de desabamentos em favelas cariocas, instalado em janeiro, foi acionado pela primeira vez na noite de segunda-feira, quando em poucas horas o Rio recebeu o dobro da chuva esperada para todo o mês de abril. Os alarmes soaram em 11 favelas, logo depois que a cidade entrou em "estágio de alerta", que se caracteriza por chuva forte com riscos de alagamentos e deslizamentos.

 

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Muitos moradores, no entanto, preferiram permanecer em suas casas, o que levou o prefeito a admitir que o funcionamento do sistema inda não é ideal. Ele aproveitou para fazer um apelo: "É importante que as pessoas acreditem nas sirenes, porque elas são feitas para salvar vidas", disse Eduardo Paes. A Prefeitura do Rio informou que 70 pessoas recorreram aos pontos de apoio que acolhe os moradores até que o risco de desabamento em suas casas seja descartado. Foram registrados apenas pequenos deslizamentos, sem feridos, nas comunidades JK, Borel, Andaraí e Chacrinha, na região da Tijuca (zona norte). Em toda a cidade muitas ruas e praças ficaram alagadas.

 

A Defesa Civil do Rio registrou mais de 200 chamadas. Na Estrada Grajaú-Jacarepaguá, uma pedra de 600 toneladas despencou de uma barreira e atingiu a frente do carro de Inês Carolina Gomes, de 24 anos, que conseguiu frear e sobreviveu. O bloco de rocha recebeu duas cargas de explosivos para ser desfeito. A via continuava interditada nos dois sentidos até o início da noite de hoje. O nível da água na Lagoa Rodrigo de Freitas, ponto turístico da zona sul carioca, ficou acima do normal, mas não transbordou.

 

Na região da Tijuca, a mais afetada pela chuva, um homem morreu afogado na Praça da Bandeira, onde a inundação atingiu também todas as ruas próximas. Passagem obrigatória para quem vem da zona sul ou do centro e se dirige ao Estádio do Maracanã, o palco principal da Copa de 2014, a Praça da Bandeira, desde a década de 40, convive com inundações. Na segunda-feira, os carros foram levados pela correnteza e os passageiros dos ônibus tiveram que ser resgatados por uma grua do Corpo de Bombeiros. No Morro da Formiga uma casa desabou, mas ninguém ferido.

 

O governador Sérgio Cabral definiu as enchentes na região como um "estorvo histórico do Rio". Obras de macrodrenagem na Praça da Bandeira foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) e estão orçadas em R$ 300 milhões, mas devem demorar pelo menos 3 anos. "São três rios: Trapicheiro, Joana e Maracanã. É uma região crítica, baixa e que vai dar no Canal do Mangue. A prefeitura tem o projeto da construção de piscinões para desvio destes rios, mas não é uma obra rápida. A gente ainda deve sofrer algum tempo" reconheceu o prefeito Eduardo Paes.

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