Alertada pela mãe, jovem só recuperou carteira no DP

Valéria Morais de Souza, de 22 anos, se formou em Administração no final do ano passado e, à procura do primeiro emprego, ouviu da mãe: "Filha, agora vai correr atrás." Na semana passada, a jovem fez um teste na Meta Negócios Ltda., deixou lá a carteira de trabalho e voltou para casa com a missão de vender o cartão de benefícios a R$ 695. Por desconfiança da mãe, Valéria desistiu, mas só conseguiu recuperar o documento na delegacia."Ela foi no meu emprego me pedir o dinheiro, dizendo ?como vou ser uma monitora de vendas se eu não conseguir vender isso??. Falei para ela abrir o olho porque as coisas não funcionavam desse jeito", diz a cozinheira Rude Mendes de Morais, de 55 anos, mãe de Valéria.Antes de desistir, a jovem teria, por orientação dos funcionários da Meta, de ligar para a sede da empresa na última terça-feira, às 14h30, independentemente de ter vendido ou não o cartão de benefícios. A jovem suspeita agora que esse seja um artifício para que os golpistas tivessem controle da situação. "Quando minha filha disse que desistiu e pediu a carteira de trabalho de volta, afirmaram que o documento estava em outro escritório e não podiam devolver naquela hora", conta a mãe. "Nunca vi ficar com a carteira de quem não vai trabalhar na empresa."Dezesseis jovens lesados só souberam do golpe ontem, ao se apresentarem para o treinamento na Meta e se depararem com um aviso de "fechamento por luto". Avisados do golpe por policiais, foram para a delegacia. "Não interessava como vendíamos. Queriam saber do dinheiro na mão", diz Rafael Reis de Souza, de 19 anos, outra vítima.

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