Aliado ao PMDB, Jatene volta ao poder

Campanha do tucano só decolou depois que Ana Júlia, do PT, perdeu o apoio de Jader Barbalho, barrado pelo Ficha Limpa

Carlos Mendes ESPECIAL PARA O ESTADO /BELÉM, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2010 | 00h00

PARÁ

Quatro anos depois de ter sido sucedido no cargo pela adversária, Ana Júlia Carepa (PT), o ex-governador Simão Jatene (PSDB) retorna ao poder no Pará, eleito com margem folgada de votos em disputa contra a governadora petista. Com mais de 99% das urnas apuradas até o fechamento desta edição, Jatene tinha 55,74% dos votos contra 44,62% de Ana Júlia.

O governador eleito tem 61 anos, é economista e professor universitário. Sua primeira eleição foi disputada em 2002, quando venceu Maria do Carmo (PT) no segundo turno para o governo do Estado.

Em 2006 ele não disputou a reeleição e regressou à carreira de professor universitário no ano seguinte. Nesta campanha, Jatene só passou a liderar a disputa quando Ana Júlia perdeu o apoio do PMDB, no final de setembro, às vésperas da eleição em primeiro turno.

Adesão. Jatene obteve então a adesão do PMDB de Jader Barbalho e de deputados eleitos do PTB e PR, partidos que oficialmente integravam a coligação de Carepa. Barbalho foi o mais votado para o Senado no Pará, mas sua candidatura foi barrada no Supremo Tribunal Federal (STF), com base na recém-aprovada lei do Ficha Limpa.

Após saber dos resultados, Jatene pregou um governo de união e disse esperar não enfrentar problemas no relacionamento com o governo federal da presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Ele lembrou que, em seu mandato anterior, já teve um presidente de oposição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Espero que alguém sentado na cadeira de presidente deste País tenha exatamente esse cuidado. O País é maior que qualquer partido ou qualquer liderança política", disse Jatene.

Antes de as urnas serem abertas, o tucano criticou o que definiu como utilização da máquina estadual por Ana Júlia. Segundo ele, sua campanha foi vítima de um "vale tudo" para reeleger a governadora. Ele disse ainda que as máquinas públicas estadual e federal impulsionaram a candidatura da atual governadora à reeleição.

"Enfrentamos duas máquinas públicas, mas conseguimos atravessar essa campanha com a população ao nosso lado", afirmou Jatene. A candidatura de Ana Júlia teve apoio de 14 siglas.

Fogo amigo. A campanha de Jatene foi marcada por um fato inesperado nessas eleições: a feroz oposição, dentro do PSDB, que ele enfrentou do ex-padrinho político e fundador do partido no Estado, Almir Gabriel.

Gabriel acusou o antigo protegido de "traição" por ter feito "corpo mole" no pleito anterior, quando Jatene desistiu de disputar a eleição. O fundador do PSDB chegou a anunciar seu apoio a Ana Júlia no segundo turno.

A governadora Ana Júlia Carepa acompanhou a apuração dos votos ao lado de familiares. Ela evitou comentar o resultado, assim como seus assessores. O telefone dela ficou desligado durante a apuração.

Tecnobrega. A última semana de campanha foi embalada ao som do tecnobrega - estilo característico da região. Enquanto Ana Júlia levou a banda Calypso para sua propaganda eleitoral na televisão, Jatene levou Edilson Moreno e Super Pop. Nesta campanha, a propaganda de Jatene teve como tema principal a sustentabilidade para ganhar o eleitor. Seu mote foi "Pacto para um Pará sustentável".

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