Aliado de Dirceu vai assumir Relações Institucionais

Ex-prefeito de Angra dos Reis e considerado 'cria' do ex-ministro, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) vai substituir Padilha, que será titular da Saúde

Vera Rosa / BRASÍLIA e Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) será o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo Dilma Rousseff. O titular da pasta é o responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso, mas, na configuração planejada por Dilma, as grandes negociações serão tocadas pelo futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Na prática, Luiz Sérgio cuidará do "varejo" com a Câmara e o Senado.

Presidente do PT do Rio de Janeiro, o deputado foi convidado ontem por Dilma a assumir o cargo no lugar de Alexandre Padilha, que irá para o Ministério da Saúde. Ex-líder da bancada petista na Câmara, Luiz Sérgio é considerado "cria" do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Na crise do mensalão, ele foi um dos principais defensores do ex-ministro no plenário da Casa.

Além do chefe de Relações Institucionais, Dilma oficializou ontem outras quatro indicações: o prefeito de Sobral, Leônidas Cristino (PSB), ocupará a Secretaria dos Portos; Fernando Bezerra Coelho (PSB), a Integração Nacional; José Elito Carvalho Siqueira, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e Jorge Hage será mantido na Controladoria-Geral da União.

À noite, deputados do PT e de outros partidos comemoravam a indicação de Luiz Sérgio em um esvaziado plenário da Câmara. "Quero minhas emendas parlamentares!", brincou o ex-petista Chico Alencar (PSOL-RJ). "Calma, nem assumi ainda", devolveu o deputado. A liberação de emendas é sempre um nó a ser desatado pelo chefe da Secretaria de Relações Institucionais e a situação piora em tempos de aperto orçamentário, como agora.

No modelo idealizado por Dilma, Luiz Sérgio atuará em dobradinha com Palocci, que ficará encarregado das articulações políticas de bastidor, principalmente com o Senado, e das negociações com governadores. O projeto inicial da presidente eleita era desidratar a Casa Civil, mas ela mudou de plano.

CPI. Luiz Sérgio foi o relator da CPI dos Cartões Corporativos, em 2008. O documento final da investigação, assinado por ele, foi aprovado sem menções ao dossiê sobre gastos do governo FHC e sem indiciamentos, apesar de apontar irregularidades tanto no governo Lula quanto na gestão tucana.

Na campanha presidencial, assumiu o papel de pacificador diante da militância petista do Rio, após o episódio em que o candidato José Serra (PSDB) foi atingido na cabeça por um objeto. O petista organizou reuniões para pedir calma aos cabos eleitorais e evitar embates.

Ex-prefeito de Angra dos Reis, Luiz Sérgio está no quarto mandato como deputado. Foi eleito pela primeira vez em 1998. Este ano, recebeu 85 mil votos - segundo candidato a deputado federal mais votado do PT no Rio e com 18,4% dos votos de Angra, seu reduto eleitoral.

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