Dida Sampaio/AE
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Aliado de Sarney tem ajuda recorde na campanha

Chiquinho Escórcio, que ajudou a derrubar Jackson Lago do governo, recebeu mais de R$ 660 mil para chegar à Câmara

Eugênia Lopes ENVIADA ESPECIAL SÃO LUÍS, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2010 | 00h00

Antigo aliado da família Sarney, Francisco Luiz Escórcio Lima, mais conhecido como Chiquinho Escórcio, tem uma das campanhas mais ricas do Maranhão na briga por uma vaga pelo PMDB para a Câmara dos Deputados.

Segundo dados da página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Chiquinho recebeu R$ 665 mil, até 3 de setembro. Valor bem superior aos R$ 105.050 declarados pela campanha do candidato ao governo do Maranhão, Jackson Lago, do PDT.

A atuação de Chiquinho Escórcio na cassação do mandato de Lago foi considerada essencial pelo clã dos Sarney. Em 2008, ele recolheu provas que acabaram levando à cassação de Lago, em abril de 2009. Foi assim que o assessor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cacifou-se para ganhar a vaga de candidato preferencial do partido a uma cadeira na Câmara. Com direito a usar até o número 1515, favorito entre os candidatos por ser de fácil memorização.

"Foi um reconhecimento pelo papel que ele teve na cassação de Lago", resume o deputado Ribamar Alves (PSB-MA). Meses depois de ter assumido o governo do Maranhão, em 2009, Roseana Sarney nomeou Chiquinho representante de seu governo em Brasília. Mas o peemedebista já era nacionalmente conhecido antes de sua atuação no episódio que levou à cassação de Lago.

Espionagem. Na crise que derrubou Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, em 2007, Chiquinho foi acusado de espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO), ferrenhos opositores de Renan. Demóstenes chegou a chamá-lo de "destrambelhado".

Ao registrar sua candidatura, em julho último, Chiquinho Escórcio declarou ter patrimônio de R$ 26,8 milhões. Em 2006, quando tentou, sem sucesso, eleger-se também deputado federal, informava apenas R$ 2,4 milhões. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ele disse em julho ser dono de R$ 9,5 milhões em contas de uma empresa de construção; dois prédios na cidade satélite de Taguatinga, no Distrito Federal, no valor de R$ 3,65 milhões; um terreno em Brasília de R$ 1 milhão: um imóvel de R$ 10 milhões no Park Way, também em Brasília, uma casa e um apartamento no valor conjunto de R$ 1,75 milhão, carros, lotes, lanchas e R$ 270 mil em dinheiro vivo "debaixo do colchão".

Ele alega que não houve crescimento significativo de seu patrimônio entre 2006 e 2010 e sim "na atualização nos valores" de seus bens. Segundo ele, a declaração de 2006 estava com valores históricos de bens. "Como empresário bem sucedido, nestas eleições de 2010, fui orientado por especialistas e fiz constar o mesmo patrimônio com valores atualizados", argumentou em carta à procuradora eleitoral Carolina da Hora Mesquita Honh.

Além de uma dívida de gratidão com Escórcio, a família Sarney também investe em outros aliados para tentar minguar a oposição que enfrentam na Câmara. Dos 18 deputados federais, 11 são hoje ligados a oligarquia dos Sarney.

A expectativa é conseguir eleger pelo menos mais dois de seu grupo. Um deles seria Luciano Fernandes Moreira, que declarou à Justiça Eleitoral ter recebido R$ 587 mil, no início de setembro. Sua candidatura estaria sendo insuflada principalmente pela governadora e candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB).

"Eles fazem isso para tentar tirar a gente da disputa e ficar sem oposição em Brasília", diz o deputado Domingos Dutra (PT-MA). Um dos mais ferrenhos adversários da família Sarney, o petista corre o risco de não conseguir se reeleger. "É um jogo pesado para tirar os deputados que são contra eles (Sarney)", afirma Ribamar Alves.

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