Aliado político do grupo teria feito lobby no STF

Segundo o Ministério Público, a organização contava com importante aliado político - o deputado estadual de Minas Chico Uejo (PSB). A promotoria sustenta que Uejo recebia mesada de R$ 40 mil e articulava contrato de US$ 400 milhões para exploração de manganês no Tocantins. O parlamentar teria sido encarregado de tentar se aproximar da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, para obter decisão favorável à organização na Ação Direta de Inconstitucionalidade 4125 sobre contratação de servidores sem concurso.

Fausto Macedo, Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

A ofensiva foi frustrada. A ministra, na condição de relatora, votou pela concessão da ação, contra os interesses do grupo. O voto de Cármen foi seguido por unanimidade por seus pares fixando prazo de 12 meses para realização de concursos.

Uejo cumpre seu primeiro mandato e quer se reeleger. Seu pai, Paulo, é prefeito de São Gotardo (MG), onde ele nasceu. Cármen Lúcia foi advogada e procuradora-geral de Minas no governo Itamar Franco, antes de chegar ao Supremo.

Em diálogo de 12 de abril, o deputado e o lobista Maurício Manduca discutem saídas para acelerar o julgamento da ação. "Estive em Brasília e despachei com a mulher", diz Uejo. "A mulher deve estar colocando, mas quem define a pauta é o chefe dela, o presidente. Ela está de acordo, despachamos com ela. O homem estava junto e ela vai colocar com certeza na pauta."

Manduca diz, em conversa monitorada, que a ministra "foi a vida inteira advogada do Paulo Uejo, pai do Chico." O lobista diz que Uejo "é um anjo". Outro integrante do grupo chama o deputado de "pé frio". Em um grampo, o deputado reclama a Manduca que ainda não recebeu a mensalidade prometida pelo empresário José Carlos Cepera. O lobista se desculpa. "Não dá mais para ligar para ele (Cepera), já falei, já pedi, tem que aguardar."

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