Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Aliados assumem elogiando Lula e Dilma

Maioria dos governadores agradece e pede mais projetos federais; exceção foi Roseana

, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

Os principais aliados do governo federal nos Estados não economizaram elogios à presidente Dilma Rousseff nem a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Ao assumirem seus cargos ontem, os governadores que apoiaram a petista mesclaram questões locais, como criminalidade e crescimento das economias de seus Estados, a temas como a partilha dos royalties de petróleo e obras de infraestrutura financiadas pela União.

No Rio, o governador reempossado, Sérgio Cabral Filho (PMDB), classificou Lula como "o maior presidente da história do País" e reafirmou sua disposição de lutar contra eventuais perdas relacionadas aos royalties do petróleo. Cabral agradeceu ao ex-presidente por ter vetado a redistribuição dos recursos por todos os Estados e municípios - chamada por Cabral de "descalabro e desrespeito, não com o Rio de Janeiro, mas com a nação" - e disse acreditar que Dilma manterá a mesma posição de Lula.

Ao citar a segurança pública, o governador lembrou que, ao assumir o primeiro mandato, em 2007, o Rio sofria uma série de atentados cometidos pelo crime organizado, com mais de "50 vítimas do terror". Cabral aproveitou para, mais uma vez, elogiar o Lula pelo apoio das Forças Armadas à ação policial que, em novembro, retomou o controle da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, antes dominados por traficantes de drogas.

"Em 2014, não haverá uma comunidade ou um bairro de nosso Estado dominado pelo poder paralelo, seja traficante ou miliciano", prometeu em seu discurso. Depois, em entrevista, reconheceu ser impossível acabar com o crime. "Nós não vamos extinguir os marginais ou a venda de produtos ilegais. O que não podemos é ter essa situação vexatória de um controle armado em comunidades do Rio."

Nordeste. Cabral não foi o único a agradecer a atenção de Lula a seu Estado. Reeleito com a maior votação proporcional do País, Eduardo Campos (PSB-PE) disse ter certeza da "mais dedicada atenção" de Dilma com Pernambuco, mantendo a linha adotada pelo ex-presidente. Embora tenha dito que "fez o dever de casa" ao ampliar a capacidade de investimento do governo, Campos reconheceu que o apoio da União é imprescindível para consolidar projetos como a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina.

Também reempossado ontem, o cearense Cid Gomes (PSB) citou Dilma como "uma extraordinária mulher que tem como grande responsabilidade suceder o grande presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva". E fez questão de prestigiar seu irmão, Ciro, deixado de lado na montagem do novo ministério. "Ele é meu exemplo como líder político e homem público."

Na Bahia, o reeleito Jaques Wagner (PT) foi prestigiado por dois dos ministros de Dilma: Mário Negromonte (Cidades), do PP, e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário).

Entre os aliados de Dilma no Nordeste, quem acabou não citando a presidente em seu discurso foi a maranhense Roseana Sarney (PMDB). Reeleita, ela prometeu fazer "o melhor governo da história" do Maranhão sem qualquer menção a apoio ou repasses federais.

No Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) assumiu o governo atacando a corrupção que dominou o cenário político local. "A capital do Brasil perdeu a chance de pegar carona nas mudanças do governo Lula", disse. / WILSON TOSTA, FELIPE WERNECK, ANGELA LACERDA, TIAGO DÉCIMO, CARMEM POMPEU E WILSON LIMA, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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