Aliados comemoram Aécio ''só em Minas''

Para tucanos que trabalham para eleição de Anastasia, candidatura do ex-governador ao Senado evitará 'nacionalização' de campanha no Estado

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2010 | 00h00

Embora já esperada, a rejeição de Aécio Neves aos apelos e pressões para que aceitasse integrar como vice na chapa presidencial tucana, encabeçada por José Serra, foi recebida com alívio e euforia entre os principais aliados do ex-governador no PSDB-MG.

"A expectativa é que ele conduza a campanha com mais força, porque vai se dedicar só aqui", afirmou o secretário de Governo, Danilo de Castro. "Havia muito medo, um certo receio do PSDB mineiro que a candidatura dele a vice o afastasse daqui. Foi uma atitude que ele tomou com convicção e que teve o apoio do grupo todo."

Durante as férias de Aécio na Europa, o governador Antonio Anastasia ficou estacionado nas pesquisas de intenção de voto, gerando apreensão entre tucanos e aliados.

Embora de acordo com a última pesquisa Vox Populi Anastasia apareça 28 pontos porcentuais atrás de Hélio Costa (PMDB) e 14 de Fernando Pimentel (PT), pré-candidatos da base aliada, o PSDB-MG destaca que o governador tem enorme potencial de crescimento, já que é ainda pouco conhecido. O próprio Aécio, num esforço para injetar otimismo, classificou o patamar de seu candidato como "extraordinário".

"A gente está seguro que o Anastasia ainda é conhecido de uma parcela muito pequena da população mineira, apesar de todas as viagens que ele tem feito", destacou o deputado federal Paulo Abi"Ackel (PSDB-MG).

Transferência. Ao mesmo tempo, os tucanos mineiros difundem a versão segundo a qual o ex-governador como vice pouco acrescentaria à candidatura de Serra nas regiões onde o pré-candidato tucano aparece em clara desvantagem, como no Norte e no Nordeste do País.

Aécio deixou o governo mineiro com 73% de aprovação e colocará à prova sua capacidade de transferir votos. Em 2006, no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve em Minas uma vantagem de cerca de 3,2 milhões de votos sobre o então candidato tucano, Geraldo Alckmin.

"Tenho como convicção de que ele como vice talvez não somasse muito e atrapalharia tanto a campanha do Serra quanto a do Anastasia. No dia em que ele deixasse de ser novidade para a mídia, caía no esquecimento. Porque ninguém lembra de vice", comentou Castro.

Lideranças do PSDB-MG admitem que a decisão de Aécio de reafirmar sua candidatura ao Senado evita uma "nacionalização" da campanha em Minas. Os tucanos mineiros acompanham com atenção a briga na qual se envolveram os diretórios estaduais do PT e o PMDB pela indicação do candidato ao governo.

A aposta é que qualquer que seja o candidato, a aliança não marchará unida. Lideranças deixam claro, porém, que se Aécio decidisse rever seus planos e compor a chapa presidencial, a disputa pelo governo de Minas ganharia outra dimensão e uniria todos os aliados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.