Wilson Pedrosa/AE
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Aliados de Serra têm 55,4% do PIB

Governadores que apoiam o candidato do PSDB venceram no primeiro turno em [br]sete Estados

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Governadores aliados de José Serra (PSDB) venceram no primeiro turno em Estados que correspondem a 55,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Os aliados de Dilma Rousseff (PT) ficaram com 33,7%, enquanto governos que correspondem a 10,9% serão definidos no segundo turno.

"É surpreendente esse dado", afirmou Ernesto Lozardo, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. "O PT ganhou em poucos Estados, e em Estados menos relevantes economicamente. Isso mostra que o prestígio é mais da pessoa do presidente que do partido."

Foram determinantes nessa divisão as vitórias do PSDB em São Paulo e Minas Gerais, que respondem, respectivamente, por 33,9% e 9,1% da economia nacional. Os cálculos têm como base a divisão do PIB por Estados de 2007, a última divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os aliados de Serra foram vitoriosos em 7 Estados e os de Dilma, em 11. Em oito Estados e no Distrito Federal o resultado será definido somente no dia 31. Entre os maiores Estados que ficaram nas mãos de aliados da candidata Dilma estão o Rio de Janeiro, com 11,2% do PIB; o Rio Grande do Sul, com 6,7%; e a Bahia, com 4,1%.

Segundo Lozardo, o resultado mostra que a política dos Estados difere muito da política federal. "As situações não estão mais se confundindo", disse o professor. "Os eleitores estão muito mais conscientes."

A vitória de Geraldo Alckmin em São Paulo e de Antonio Anastasia em Minas Gerais mostraram a força da oposição em Estados do Sudeste, que têm forte peso econômico. Os aliados de Serra também venceram no Paraná, que tem 6,1% do PIB, e Santa Catarina, com 3,9%.

Gestão. Os aliados de Dilma mostraram força na Região Norte, ganhando no Acre (0,2% do PIB) e no Amazonas (1,6%), e na Região Nordeste, levando no primeiro turno no Maranhão (1,2%), Ceará (1,9%), Pernambuco (2,3%), Sergipe (0,6%) e Bahia. As duas regiões são bastante beneficiadas pelos programas sociais do governo federal, como o Bolsa-Família.

Mas, segundo Lozardo, essa não é a única explicação para o bom desempenho. Essas regiões têm apresentado um crescimento econômico acima da média do País, o que pode levar a uma avaliação melhor dos candidatos governistas.

"O governo investiu muito em infraestrutura nessas regiões, e também ajudou a organizar melhor a gestão", explicou o professor.

"Nós da FGV prestamos muita assessoria para governos dessas regiões, que estão muito abertos a novas ideias", disse Lozardo. De acordo com ele, esses governos estavam mais desorganizados, e receberam incentivos até de organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para melhorarem a gestão pública.

Inimigo. O professor da FGV destacou que, pela primeira vez, não havia um "inimigo" definido para os candidatos à Presidência mirarem suas críticas. "Em eleições anteriores, os candidatos eram contra marajás, contra a inflação ou contra o Fundo Monetário Internacional (FMI)", disse Lozardo. "Dessa vez, o discurso era o compromisso de manter o que está funcionando."

O professor destacou que todos quiseram se apresentar como bons gestores. "O momento é muito mais pragmático e menos dogmático", disse o economista. "A prioridade foi mostrar competência de gestão."

Apesar de ter classificado as eleições de "bastante tranquilas", Lozardo lamentou que não tenha havido grandes debates de ideias ou propostas inovadoras. "O que não é bom para gente", afirmou. "Ninguém entra no dilema financeiro do Brasil, em uma estratégia para o País avançar como fez a China ou a Coreia do Sul."

Para ele, a visão dos candidatos presidenciais é muito imediatista, é de não mexer no que está dando certo.

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Ernesto Lozardo, PROFESSOR DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS (FGV)

"O PT ganhou em poucos Estados, e em Estados menos relevantes economicamente.

Isso mostra que o prestígio é mais da pessoa do presidente

que do partido"

"O momento é muito mais pragmático e menos dogmático. A prioridade foi mostrar competência de gestão"

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