Aliados desembarcam da defesa de ministro

PC do B e Força Sindical, ligada ao PDT, partidos que tiveram embates com Palocci, querem saída de petista ou mudança na articulação do governo

, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

Depois de sentir cobranças do PT e do PMDB, o ministro Antonio Palocci passa a ser cobrado publicamente por mais dois aliados do governo federal recentemente derrotados em negociações políticas da base: o PC do B e o PDT.

Reunidos no fim de semana, dirigentes do PC do B aprovaram resolução em que pedem uma solução imediata para a crise e pregam a "descentralização" das decisões políticas do governo, hoje concentradas nas mãos de Palocci. A Força Sindical, maior central de trabalhadores do País e ligada ao PDT, quer a "saída imediata" de Palocci.

Os dois aliados se envolveram em batalhas duras e recentes com o Planalto e foram por ele derrotados com o apoio decisivo de Palocci. Desde o início da crise, o governo temia a exploração da situação delicada de seu principal articulador para tirá-lo do cargo e pressionar a presidente.

A Força Sindical, comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), foi derrotada na votação do atual valor do salário mínimo (R$ 545). O PC do B queria controlar o importante posto da Autoridade Pública Olímpica (APO), responsável pela organização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio, mas foi vetado por Dilma e Palocci, que escolheram Henrique Meirelles, filiado ao PMDB, para o cargo.

Outro ponto de descontentamento do PC do B é a votação do Código Florestal semana retrasada na Câmara. O deputado Aldo Rebelo era o relator e, junto com o governo, saiu derrotado. "O partido (PC do B) opina que a crise na qual está envolto o ministro Antonio Palocci exige uma solução que fortaleça a autoridade da presidente Dilma na condução política do governo. Essa resposta corresponde aos anseios da base aliada e da maioria da Nação", diz a resolução.

Saída. A Força Sindical foi mais direta: "O imediato afastamento do ministro só trará benefícios para o País, que vive um bom momento econômico, com pleno emprego e sinais de controle inflacionário, mas começa a sentir a paralisia política do governo devido às incertezas que cercam o atual ocupante da Casa Civil do Palácio do Planalto".

Palocci foi à TV na sexta-feira dar uma explicação para o fato de seu patrimônio ter crescido 20 vezes de 2006 a 2010, mas não esclareceu a maior parte dos questionamentos, como nomes de clientes e serviços prestados. Além disso, a revista Veja publicou reportagem no sábado afirmando que o luxuoso apartamento onde mora a família Palocci em São Paulo está no nome de um "laranja".

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