Aliados já defendem a volta de diretor do Dnit ao governo após denúncias

Luiz Pagot prestou ontem depoimento no Senado e disse que sua gestão contou com aval do governo; para líderes da base, Planalto precisa desfazer mal-estar com PR, provocado pela crise nos Transportes, e garantir a aliança, sobretudo em Mato Grosso

Leonencio Nossa, João Domingos e Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

O Palácio do Planalto avalia que foi precipitado tirar Luiz Antonio Pagot da diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e procura uma "saída honrosa" para ele. Embora considerada difícil, até a possível permanência de Pagot no cargo tem sido cogitada por auxiliares da presidente Dilma Rousseff. Líderes da base aliada defenderam, alguns abertamente, a volta de Pagot ao comando do Dnit. A presidente Dilma, porém, resiste em recolocá-lo no cargo.

Auxiliares da presidente acham que o retorno dele daria mais agilidade ao fim das divergências com o PR, partido de Pagot. Ele foi afastado do cargo após denúncias de corrupção na pasta. Ontem, ao prestar depoimento no Senado, Pagot evitou polêmicas com o governo (leia texto abaixo). O Planalto temia o tom do depoimento e uma possível ampliação da crise no setor.

Na sessão da Comissão de Infraestrutura que ouviu Pagot, o senador Blairo Maggi (PR-MT) foi explícito ao pedir a permanência do afilhado na diretoria-geral do Dnit. Para ele, em um mês, quando for concluída a sindicância nos Transportes, se não forem constatadas irregularidades a presidente tem a obrigação de reconduzir Pagot ao cargo.

Já o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou de público sua solidariedade a Pagot e ao senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que saiu da direção do Ministério dos Transportes na semana passada em meio à crise. "Eu me solidarizo com o Pagot e com o Alfredo Nascimento", disse Vaccarezza num almoço dos líderes dos partidos da base aliada com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Indagado sobre a possível permanência de Pagot no Dnit, Vaccarezza respondeu: "Se ele vai continuar ou não, cabe ao novo ministro decidir". Ele afirmou ainda que, no depoimento no Senado, Pagot falou a verdade, o que, na sua opinião, dará elementos para a imprensa e para a sociedade compreenderem como é que são feitas obras no Brasil.

Ausência do PR. Num sinal de que as relações estão estremecidas, o PR não compareceu ontem ao almoço da base com Ideli, organizado pelo líder do PT, Paulo Teixeira (SP).

"O PR é um dos partidos mais fiéis da base aliada. Não é justo que não tenha um representante aqui", disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), "Quero que o partido volte a ter um lugar na base e nas decisões."

Em seguida, outros líderes governistas falaram da necessidade de superar o problema Pagot e trazer o PR de volta à base.

Nos bastidores, dirigentes do PR comemoraram o depoimento de Pagot. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff avaliavam que se Pagot repetir hoje na Câmara o desempenho que teve no Senado terá praticamente conseguido um habeas corpus para reivindicar a permanência à frente do Dnit, ou para obrigar o governo a lhe abrigar em outro posto.

"Nesse ritmo, não se provará nada contra ele, o que lhe dá condições de reivindicar seu espaço", disse o deputado José Guimarães (PT-CE).

Palavra de ministro. O próprio ministro Paulo Sérgio Passos, que substituiu Alfredo Nascimento na pasta, disse que não sabe ainda se manterá Pagot. "Não posso me antecipar à decisão da presidente", disse.

O governo busca uma saída para Pagot e dá demonstrações de que negociará com ele uma solução para o Dnit. Por enquanto, a única alternativa discutida foi a possibilidade do senador Blairo Maggi permanecer no cargo, ainda que temporariamente. A interlocutores do governo, Pagot deixou claro que não aceita sair do Dnit acusado de irregularidades. Tudo o que fez, ressalta, teve a chancela do governo.

Setores do Planalto dão razão ao diretor do Dnit. Argumentam que a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) não apresentaram indícios de irregularidades na sua gestão.

Desde o início da crise, o governo tenta desvincular o apadrinhado de Blairo Maggi das suspeitas de irregularidades.

Auxiliares de Dilma dizem o retorno de Pagot ao cargo manteria a aliança do PT com Blairo Maggi em Mato Grosso, o que é a preocupação do governo. Auxiliares de Dilma minimizam estragos na imagem da presidente se houver um recuo. Observam que foi positiva a substituição de Alfredo Nascimento por Paulo Sérgio Passos, que tem perfil mais técnico. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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