Aliados pressionam PT por aliança em Porto Alegre

Para PDT e PC do B, petistas não têm nome expressivo para concorrer à prefeitura da capital gaúcha em 2012

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2011 | 00h00

Aliados da presidente Dilma Rousseff e do governador Tarso Genro, o PC do B e o PDT aumentaram a pressão sobre o PT por apoio a seus candidatos à Prefeitura de Porto Alegre em 2012. Os dois partidos alegam que a aliança que sustentam nos níveis federal e estadual deve se manter nas eleições municipais.

Para tanto, adotam o discurso de que a frente deve apostar nas candidaturas mais viáveis em cada cidade, mostram-se dispostos a reforçar a campanha do PT em outros municípios e esperam reciprocidade na capital gaúcha.

Tanto o PC do B quanto o PDT entendem que seus candidatos, respectivamente a deputada federal Manuela d"Ávila e o prefeito José Fortunati, devem encabeçar a chapa na capital gaúcha, já que forças expressivas como o PT e o PMDB estão sem nomes para largar como favoritos.

A única pesquisa disponível por enquanto foi feita em março pelo Instituto Methodus e mostrou Manuela liderando em quatro cenários, com índices de 25% a 39,7% das intenções de voto. Fortunati aparece em segundo, com média de 30%.

A tese dos dois partidos é reforçada pela direção nacional do PT, que trabalha pela consolidação da base de apoio de Dilma, aposta em algumas cidades como São Paulo e admite abrir mão da candidatura própria em capitais simbólicas para o partido, como Porto Alegre.

Ação. O primeiro movimento da semana foi feito pelo PC do B, que encaminhou carta à direção municipal do PT apresentando o nome de Manuela para disputar a prefeitura. O argumento é o de manter o núcleo de esquerda que garantiu a vitória do petista Tarso Genro ao governo do Estado em 2010.

O texto adverte: "O rompimento dessa unidade pode acarretar no mesmo resultado de 2008, quando a divisão no primeiro turno construiu nossa derrota no segundo", em uma referência às candidaturas de Manuela e da hoje ministra Maria do Rosário (PT). A petista passou à rodada decisiva, mas perdeu para José Fogaça (PMDB).

As lideranças do PDT aproveitaram a viagem a Porto Alegre, onde participam do congresso nacional do partido, que termina hoje, para apresentar suas propostas aos petistas gaúchos. O ministro do Trabalho e presidente licenciado da sigla, Carlos Lupi, tomou café da manhã com o vereador Adeli Sell, presidente municipal do PT, e pediu apoio a Fortunati em nome da consolidação do bloco que dá sustentação ao governo Dilma.

O partido acredita que, graças à aliança nacional, pode juntar rivais históricos no Estado. "Em política tudo é possível", reiterou o secretário-geral do PDT, Manoel Dias, apostando que as aproximações no plano federal comecem a se repetir nos Estados.

Centro da disputa. Pela primeira vez na condição de noiva, o PT está em uma encruzilhada. Em Brasília e São Paulo há forças que querem uma aliança ampla, com Fortunati ou Manuela, e sem restrição ao PMDB. Em Porto Alegre, há alas que admitem abrir mão de uma cabeça de chapa, mas acham difícil apoiar Fortunati enquanto ele tiver aliados rivais ao PT ou da oposição a Dilma.

Outra ala defende que, pela expressão que tem, o partido deve apresentar candidato. Nesse caso, aparecem os nomes de Adeli Sell e do deputado estadual Raul Pont. Pode entrar ainda o da deputada Maria do Rosário.

NOMES EM JOGO

PDT

Quer apoio para a reeleição de José Fortunati, ex-petista. Mas o prefeito tem em sua base o PMDB, adversário do PT no RS

PC do B

Partido quer aliança com PT em prol da candidatura da deputada Manuela d"Ávila, que lidera a única pesquisa realizada até agora

PT

Disputado pelos aliados, o PT está dividido. Se optar por candidato próprio, a lista tem Raul Pont (foto), Adeli Sell e Maria do Rosário

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