'Aliança de 2014 começa na eleição do ano que vem'

Prefeito define PSD como partido de centro e não descarta parceria com PSB e PT

JULIA DUAILIBI, MALU DELGADO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2011 | 03h05

Um dos principais articuladores da eleição municipal de 2012, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, diz que as alianças firmadas com o PSD no ano que vem serão reproduzidas na disputa estadual de 2014.

"Não tem nenhum sentido você ter uma aliança em 2012 se não tiver discussão sobre 2014. Isso é próprio do processo político", declarou o prefeito ao Estado, numa referência ao PSDB, partido como qual diz que pretende fechar uma aliança para a sua sucessão na capital paulista.

A proposta de Kassab, que quer o apoio dos tucanos a seu candidato em troca de uma aliança pró-reeleição do governador Geraldo Alckmin em 2014, encontra resistência de setores do PSDB, para quem o prefeito será um adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Sem citar nomes, o prefeito ataca indiretamente os candidatos à sua sucessão que serão lançados com base na tese da "renovação política", como o ministro petista Fernando Haddad (Educação) e o deputado Gabriel Chalita (PMDB).

"O eleitor paulistano é conservador. Ninguém quer arriscar colocando na cadeira de prefeito alguém que não seja maduro", disse. Defende suas principais opções: o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles e o vice-governador Guilherme Afif Domingos.

Fortalecido com o registro definitivo do PSD, Kassab já define com maior desenvoltura a ideologia da legenda. Após ter afirmado que não seria "nem esquerda, direita ou centro", agora foi taxativo: "Somos de centro". Leia entrevista concedida ao Estado na quinta-feira.

No processo de criação do PSD, houve questionamentos jurídicos.

Na verdade, nunca houve questionamento jurídico. Houve muita manifestação indevida e que não foi levada em consideração pela Justiça. Em todos os Estados a aprovação foi unânime.

A Procuradoria fez questionamentos.

A Procuradoria sempre questiona. É o papel dela.

Militantes do PSD usaram método pouco republicanos para colher assinatura?

Se alguém usou, não passou na certificação. A certificação libera o partido de qualquer suspeição.

O partido não tem tempo de TV. Não o fragiliza na eleição de 2012?

É tendência praticamente consolidada de ingressar no TSE. Se um parlamentar pode sair (da legenda), é compreensível que o partido novo tenha os seus direitos. Mas estamos trabalhando com a perspectiva pessimista. Todos (filiados) tiveram manifestação clara para que não contassem com o tempo de rádio e TV nem fundo partidário.

E se vencer a perspectiva pessimista?

Qualquer que seja o candidato, tem que ter alianças. Vou fazer um esforço para que tenha, aqui na cidade em 2012, a aliança que governa São Paulo. Não há candidato que ganhe uma eleição sem aliança.

E se o PSDB não se aliar ao PSD?

Nós vamos ter uma aliança. Só falta alguém achar que não vamos. Você está falando de um partido. Há outros.

O PSB?

Nós tivemos um entendimento e nos instalamos no Brasil inteiro, analisando caso a caso a relação PSB-PSD.

O sr. tem mais proximidade política hoje com o PSB do que com o PSDB?

Eu tenho uma confiança grande de que vai haver esforço do PSDB para que tenha aliança. Não significa que vamos ser bem-sucedidos. Da minha parte, haverá esforço. Aliás, já é público.

O sr. tem construído pontes, mas do outro lado há esforço?

Essa ponte está muito consolidada. Existe há 15 anos. É muito sólida.

Aliados do governador Alckmin tem resistência ao sr. em razão da eleição de 2008, quando o sr. o derrotou.

Mas não o Geraldo. A relação com ele sempre foi muito boa, todos sabem. Tanto é que caminhamos juntos para governador. Todos sabem o quanto eu respeitei a decisão dele de ser candidato a prefeito em 2008.

Conversou com ele sobre a aliança?

Não é hora.

Em 2012, o principal aliado do PSD será o PSDB ou o PT?

Não tenho condições ainda de fazer essa afirmação. Mas em São Paulo a tendência natural é aliança com o PSDB. Na Bahia, por exemplo, com o PT.

Se aqui em SP não houver aliança com o PSDB no primeiro turno, estarão juntos no segundo turno, como em 2008?

É difícil qualquer avaliação agora.

Os pré-candidatos tucanos não abrem mão da cabeça de chapa...

É uma situação nova, vai ter que se encontrar uma maneira de respeitar essa posição. São pessoas que estão credenciadas e habilitadas para serem candidatos, para serem prefeito. Quando o PSDB definiu a hipótese de prévia nem existia o PSD. O importante é que quando definir a aliança todos possam colocar suas hipóteses na mesa para ver o que é melhor.

A pré-candidatura de Bruno Covas ficou abalada com as declarações dele ao Estado sobre prefeito oferecendo propina para receber emenda parlamentar?

Acho que ele já se explicou. É uma figura experiente. Vive o processo político desde que nasceu.

Qual será o candidato do PSD: Henrique Meirelles ou Guilherme Afif?

Aqui estamos muito tranquilos porque nenhum dos dois quer ser (risos). Os dois seriam excelentes candidatos. Meirelles não veio para ser candidato, veio para ajudar a construir o partido. Tenho certeza de que, em algum momento, se for (chamado a ser) candidato, aceitará a missão. E o Afif também. São duas pessoas maduras, com muita experiência. O eleitor paulistano é conservador. Sabe a dimensão do cargo de prefeito. Ninguém quer arriscar colocando na cadeira alguém que não seja maduro. Pega a história de todos os prefeitos nos últimos 30 anos: todos têm vínculos fortes com a cidade. Meirelles e Afif têm vínculos muito fortes com a cidade e a maturidade que a cidade sempre exige dos candidatos.

E a tese da renovação?

Renovação não é por idade. Se for por idade, vamos trazer um de 19 anos.

Meirelles, de Goiás, tem vínculo aqui?

Ele passou muitos anos em São Paulo. Ficou um tempo fora quando foi presidente mundial de um banco. Quando voltou, escolheu para ser deputado Goiás, onde nasceu. Mas a vinculação é muito maior com São Paulo.

Haddad tem essas características?

Olha, só a campanha vai dizer.

A avaliação do governo não anda bem. Respingará no candidato governista?

A avaliação é aproximadamente 30% de ótimo/bom, 40% de regular e 25% de ruim e péssimo. Era 60% no final da campanha! Acho que 30% de ótimo/bom e 40% de regular é excelente, depois de sete anos de mandato numa cidade com tantos desafios.

O que o sr. acha de Gabriel Chalita?

É o candidato do PMDB. Na campanha vai ter que explicar quais são seus projetos, seus compromissos.

Haverá uma terceira via em 2012?

O PT foi governo aqui, é governo federal, tem enraizamento na cidade. E nós temos uma administração de oito anos, com 30% de ótimo/bom. Veja só: 30% da cidade está muito feliz. Então é muito difícil partir do princípio que não vai para o segundo turno. A chance é que vá para o segundo turno o governo com algum desses. Até agora não surgiu uma terceira via. Temos dois partidos que terão candidatos: PMDB e PT, de oposição. O PSDB está em dúvida se terá candidato, e a gente também, se serão situação.

O sr. é visto no PSDB como potencial adversário de Alckmin em 2014.

Não tem nenhum sentido ter aliança em 2012 se não tiver discussão sobre 2014. Isso é próprio do processo político e, em especial, das particularidades que têm o sistema eleitoral brasileiro. Quando encerra 2012 já tem um natural encaminhamento para a discussão de 2014. Então é evidente que aliança em 2012 significa praticamente a certeza de aliança em 2014. Nome você vai discutir.

O projeto do sr. é para 2018?

Nem 2018 nem 2022. Se não falei em relação a outros nomes, quanto mais em relação ao meu.

O nome natural em 2014 é o do governador, que busca a reeleição.

É evidente.

Dilma estuda uma reforma ministerial. O PSD vai participar do governo?

Não faz sentido. A presidente sabe que a nossa posição até o final de seu governo será de independência.

Ser 'de centro' coloca o PSD em posição semelhante à do PMDB?

Isso não é uma crítica a ninguém, mas o centro, no Brasil, perante a opinião pública, sempre se posicionou apoiando qualquer que fosse o governo. Nós estamos mostrando que não será bem assim. Sendo independentes, vamos votar a favor de todos os projetos que tiverem vínculo com o nosso futuro programa. Tive com Lula uma relação mais do que cordial. Quando chegou o processo eleitoral, apoiei Serra. Acabou a eleição. Não posso, só porque não apoiei Dilma, torcer para que dê errado. E se ela fizer um bom governo, vamos analisar ao final do mandato o que é melhor para o País.

A criação do PSD minou o DEM. O PSDB vive momento difícil. Que avaliação faz da oposição?

Espero que ela amadureça. Faltou amadurecimento ao longo do mandato de Lula.

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