Aliança inusitada enfrenta reações até nos muros da cidade

Num cenário polêmico e indefinido, pichações atacam aproximação entre o PT e o carlismo histórico em Salvador

Marcelo de Moraes e Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

A polêmica em torno da formação da chapa carlista pelo PT foi engrossada na última semana com o surgimento de muros pichados em Salvador. As mensagens combatendo a inusitada aliança são parecidas. Uma delas diz: César + Otto + PT = Tudo a Ver. Outra segue a mesma linha: César + Otto + JW (de Jaques Wagner) = ACM vivo.

Petistas acusam peemedebistas, que acusam setores insatisfeitos do PT pelo vandalismo. Apesar da polêmica, é pouco provável que o movimento prospere. Especialmente porque o governador enfrentará neste ano uma campanha difícil, tendo dois fortes adversários pela frente - o ex-governador Paulo Souto (DEM) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB).

Em 2006, Wagner surpreendeu ao derrotar Paulo Souto, então governador. Para aquela empreitada ele contou com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de uma aliança local com Geddel e o PMDB. Essa coalizão chegou a ser levada para o interior do novo governo, mas não durou muito. Depois de muitos conflitos, veio a separação que colocaria os antigos aliados em campos opostos.

O problema é que Wagner não poderá dispor agora da força de Lula com a mesma intensidade de 2006. O PMDB, principal aliado nacional do PT, vai cobrar igualdade de tratamento do presidente para Geddel na sucessão baiana. Mesmo que essa igualdade não aconteça, Lula terá de impor limites na campanha local, para não azedar o relacionamento com os peemedebistas.

Rearranjo das forças. Para amenizar a reação da esquerda está sendo articulado o lançamento da deputada Lídice da Mata (PSB) para o Senado. Isso deslocaria Otto para o cargo de vice-governador.

Favorito para se reeleger, César Borges gosta de lembrar que é amigo dos três candidatos que disputarão a eleição para o governo. Mesmo com essa vantagem, ele acredita que o acordo com o PT ainda vai se concretizar.

"O PR manteve uma abertura para conversar com os candidatos. Eu não digo hoje que fecho com A ou B ou que fecho a porta. Temos de ver quem tem o melhor projeto para a Bahia", diz. Ele afirma ainda que só setores "mais sectários" rechaçam sua participação na chapa ao lado de Wagner por conta da associação com o carlismo.

"O carlismo era algo que existia em torno da figura do senador Antonio Carlos Magalhães. Não havia ligação ideológica ou institucional", comenta Borges. "Com o desaparecimento dele, houve um rearranjo das forças. Alguns se reagruparam em torno de Paulo Souto, outras em torno de Geddel, outras em torno do governador Jaques Wagner."

Borges diz respeitar o pensamento de setores mais radicais do PT, ao mesmo que reafirma a convicção de que sua candidatura agrega forças eleitorais. "Ninguém nasce carimbado na testa e eu não tenho nada no passado que me condene. Acho que cumpri bem meu papel como governador e, agora, como senador. Wagner já deixou claro que me quer na chapa e estamos conversando", comenta.

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