Dida Sampaio/AE–15/3/2011
Dida Sampaio/AE–15/3/2011

Aliança PSDB-DEM será 'compulsória'

Ideia de fusão, vista com resistência nos dois lados, não será posta em prática antes de oposição testar união obrigatória em 2012

Julia Duailibi e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

O DEM e o PSDB estudam a formalização de uma "união compulsória" entre os dois partidos já na eleição de 2012. Os planos de fusão entre as duas legendas, que encontram resistência em ambos os lados, serão discutidos apenas depois das disputas municipais no ano que vem.

A ideia é "dogmatizar" as alianças municipais entre os dois partidos: nas cidades em que o PSDB for mais forte, o DEM apoiará o candidato a prefeito, assim como os tucanos defenderão as candidaturas dos democratas nos locais onde estes tiverem mais chances de vitória.

"A fusão remete a uma discussão de médio prazo. Neste momento, vamos debater a compulsoriedade (das alianças)", afirmou o senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM. Para ele, a tese da aliança obrigatória deve ser colocada num documento a ser ratificado pelos partidos. "A solução adequada agora é fazer alianças para a disputa pelas prefeituras", disse o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, para quem a fusão permitirá aos partidos atuarem mais "nacionalmente".

Na semana passada, líderes tucanos trouxeram a público a discussão sobre uma eventual fusão, que já se arrasta nos bastidores desde a eleição de 2010, quando os dois partidos perderam cadeiras no Congresso e viram seu poder de fogo diminuir.

Uma eventual fusão faria da legenda resultante a mais "rica", ao menos em termos de repasses do Fundo Partidário. Unidos, PSDB e DEM abocanhariam cerca de R$ 56 milhões do fundo em 2010, mais do que o PT (R$ 49 milhões) e o PMDB (R$ 37,6 milhões). Na divisão do tempo de propaganda eleitoral, o partido resultante também ficaria em primeiro lugar - mas essa vantagem é relativa, pois os tempos de TV de PSDB e DEM já são somados quando se coligam.

Entraves. As desvantagens de uma eventual fusão foram enumeradas recentemente em artigo do ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Para ele, seria extremamente complexo definir o espaço de cada dirigente de um novo partido nas 27 unidades da Federação e 5.556 municípios. As principais disputas por espaço entre tucanos e integrantes do DEM se dão em Estados como Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul.

"Além disso, existem as listas de vereadores por município e de deputados federais e estaduais por Estado, cuja agregação produzirá riscos maiores ou menores (nas eleições) para centenas de parlamentares", argumentou Maia. O risco maior, para o ex-prefeito, é que a fusão sirva como brecha para uma debandada de políticos. "A legislação autoriza parlamentares e detentores de cargos executivos que se sintam prejudicados a mudar de partido. Alguns deputados federais e vários deputados estaduais e vereadores usarão essa circunstância. O novo partido ficará menor."

Apesar de Maia considerar as discussões sobre a fusão "pura perda de tempo", elas estão em andamento. Neste ano, integrantes das bancadas do PSDB e do DEM analisaram o tema na casa do deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também tratou recentemente do tema com o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM). O governador Geraldo Alckmin (PSDB) também sinalizou ser favorável à fusão. "Eu acho que é um tema a ser discutido", afirmou em evento realizado na quinta-feira.

Embora haja manifestações favoráveis, o único consenso, neste momento, é jogar a discussão para depois da eleição. "Para a eleição de prefeito não dá", afirmou o advogado Tito Costa, autor do livro Recursos em Matéria Eleitoral. Para ser válida na eleição de 2012, a fusão entre as duas legendas teria de sair até setembro, o que está fora da pauta.

Do lado tucano, há quem ache que o partido tem mais a perder, principalmente do ponto de vista de imagem. Para esses, o DEM estaria demasiadamente vinculado à direita, enquanto o PSDB deveria reforçar seu ideário social-democrata.

No DEM também há avaliações de que o assunto é prejudicial ao partido, porque enfraqueceria a legenda no momento em que está sofrendo um desfalque para o PSD, sigla a ser criada pelo prefeito Gilberto Kassab.

Alheios a esses argumentos, os defensores da fusão dizem que os partidos, unidos, ganharão massa crítica para projetar a oposição. Também se fortalecerão e terão mais capilaridade pelo País. A situação do DEM, que perdeu mais musculatura que o PSDB, tornaria a fusão uma questão de sobrevivência.

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