Melina Hammer/NYT
Melina Hammer/NYT

Alimentação rica em fibras é aliada na prevenção da asma

Maçã, brócolis e arroz vermelho atuam como anti-inflamatórios e antioxidantes

Sara Abdo, Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 05h00

Crônica, inflamatória e controlável. Essas são três características intrínsecas à asma, leve e moderada, doença que exige do paciente e seus familiares autocuidado, tratamento contínuo e estimulantes anti-inflamatórios. Além de precisarem ser acompanhados pelo médico e associados a medicamentos corretos, esses pontos acabam se encontrando em outro lugar comum: a refeição de cada dia. Pesquisas do mundo todo associam a maior quantidade de vegetais e frutas ao melhor bem-estar do paciente. Na contramão, relacionam ingestão de alimentos processados, como embutidos, a inflamações, que, por sua vez, levam a mais doenças inflamatórias. Sim, como a asma.

A dieta ideal é um mix de vegetais, frutas, castanhas, cereais integrais e com moderado consumo de proteína animal como carne ou lácteos, aponta Gabriel Rozin, médico clínico e pneumologista e integrante do serviço de medicina preventiva e check up do Hospital Israelita Albert Einstein.“É a dieta mediterrânea mais clássica. Diferente do perfil alimentar ocidentalizado, cheio de carnes e processados”, compara o especialista e membro do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

No corpo, mais vegetais, frutas e cereais integrais significa maior quantidade de componentes anti-inflamatórios e antioxidantes. Na mesma linha, menos consumo da gorduras saturadas encontradas nos alimentos processados como bolachas recheadas e massas, auxiliam na menor presença de fatores prejudiciais ao corpo. Logo, contribuem para a menor inflamação das vias aéreas e, consequentemente, ajudam a controlar a asma. 

Baseada nessa hipótese, uma pesquisa feita com crianças e pré-adolescentes no Canadá apontou relação inversa entre mais vegetais e frequência de asmas: quanto maior a ingestão de vegetais bem verdes, como brócolis e couve, e alaranjados, como abóbora, menor a incidência de asma alérgica. Na Suíça, outro estudo destacou que polifenóis, presentes na maçã, uva, manjericão e gengibre, limitam a produção de muco nas vias aéreas e têm ação broncodilatadora. 

Segundo a Sociedade Americana para Nutrição, uma dieta em que preponderam os nutrientes antioxidantes consiste em cinco porções de vegetais e duas de frutas, diariamente. Já um perfil alimentar com baixo índice de antioxidante equivale a duas porções de vegetais e apenas uma de fruta por dia. 

Como os nutrientes agem?

As fibras presentes nos alimentos bem verdes, castanha de coco e arroz vermelho reduzem as inflamações por meio de substâncias naturais, como o sulforafano. Já os alimentos alaranjados (laranja e cenoura) são ricos em carotenoides, que são antioxidantes. Na prática, retardam o envelhecimento das células e ajudam na prevenção de doenças crônicas.

É por isso que combinar alimentos na dieta é importante, mais do que aumentar o consumo de um item específico, eliminar radicalmente outro ou priorizar a ingestão de extratos com nutrientes isolados, e não equilibrar a o perfil alimentar do dia a dia. “Alimentação é um jogo de tira e põe”, lembra Rozin.

Se de um lado se reduz a proteína animal, a fonte mais comum da ingestão proteica, é possível obtê-la nas leguminosas como a quinoa, cujo paladar é parecido ao arroz. “Erroneamente difundiu-se a informação de que vegetais não têm proteína. Isso não é verdade”, comenta, ao citar também o alto teor proteico da ervilha partida.

Confira os alimentos alimentos que podem melhorar a asma

Ter a alimentação como aliada no tratamento de asma não exige uma reviravolta: o típico arroz, feijão e salada do brasileiro já promove o ajuste alimentar e as ações anti-inflamatórias que atuam sobre a asma. Mesmo os quadros mais graves da doença, que podem ser acompanhados de obesidade e refluxo, são beneficiados pela dieta. “Tratar parte de um quadro grave com alimentação é mais produtivo do que adicionar outro medicamento na vida do paciente, aumentando a dose das drogas e encarecendo o tratamento”, afirma Rozin. 

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