Alstom reage e diz que suspeitas não têm base

Empresa francesa nega que esteja dificultando investigações sobre propina e afirma que [br]não tolera corrupção

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

A empresa francesa Alstom reagiu duramente às acusações de que estaria dificultando as investigações sobre esquema de propina a funcionários públicos de diversos países, inclusive o Brasil. Sobre o processo em curso no Reino Unido, segundo o qual o pagamento de propinas era uma "estratégia global" da empresa, a Alstom disse que as suspeitas "não têm qualquer base". "Não toleramos corrupção", afirmou a companhia.

Sobre o processo na Suíça, a empresa rechaçou as acusações de que esteja dificultando as apurações e garantiu que está colaborando com os investigadores. Segundo o jornal suíço Le Temps, uma investigação interna na companhia também foi lançada.

O Escritório de Fraude do Reino Unido confirmou a suspeita de que pelo menos dois altos funcionários estariam envolvidos em um "sistema mundial de corrupção" para garantir contratos públicos. Parte das descobertas feitas por suíços e ingleses já está sendo repassada para a Justiça no Brasil, que, segundo Berna e Londres, já sabe de parte da rota suspeita da propina.

Suíços e ingleses têm trabalhado de forma conjunta na investigação, lançada depois que um ex-banqueiro suíço revelou o esquema e apontou que o pagamento de propinas envolvia países como Brasil, Venezuela e México.

Em maio de 2010, o diretor do grupo Alstom na Suíça, Andreas Koopmann, foi convocado pela Justiça para prestar depoimento. Agora, o Ministério Público suíço confirma que a cooperação foi "limitada". "Do ponto de vista do Ministério Público, a cooperação do sr. Koopmann foi limitada e mesmo insuficiente", afirmou a Justiça suíça.

Tanto suíços como britânicos insistem que o avanço do caso na Europa terá repercussões no Brasil. Os funcionários da empresa, segundo os britânicos, teriam pago mais de US$ 120 milhões em propinas para garantir contratos públicos em todo o mundo. Um dos contratos suspeitos seria o do metrô de São Paulo.

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