Aluna da Apae e mais 4 morrem em acidente

Vítimas estavam em Kombi da Prefeitura de Rifaina, que, num ponto chamado de ?curva da morte?, bateu de frente com caminhão de pisos

Brás Henrique, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

Cinco pessoas morreram em um acidente no início da manhã de ontem, no km 459 da Rodovia Cândido Portinari, na chamada "curva da morte", perto de Rifaina, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Um caminhão carregado com pisos e azulejos chocou-se de frente com uma Kombi com sete pessoas, usada pela prefeitura de Rifaina para levar três jovens à Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Franca. A pista ficou interditada por quatro horas.O acidente ocorreu por volta das 6h30. Morreram a aluna da Apae Izabel Cristina dos Santos, de 19 anos, o motorista Laércio Masson, de 43, a mulher dele, Eliane, de 40, a funcionária pública Jaqueline Pereira Pinho, de 24, e o monitor Gean Victor Cordeiro. As mortes foram instantâneas. Outras duas alunas da Apae que estavam na Kombi, Cristiane Helena dos Santos, de 18 anos, e Kétima Fonseca, de 13, ficaram feridas. Elas foram internadas na Santa Casa de Franca - o estado da mais nova era grave.O motorista do caminhão, Valmir Borges, de Patos de Minas (MG), sofreu ferimentos leves. Foi autuado em flagrante por homicídio doloso (intencional). "Ele (Borges) disse que tinha um veículo atrás, forçando a ultrapassagem, e que jogou o veículo para o lado, perdendo o controle da direção", disse o delegado de Pedregulho, Fábio José Branquinho. Depois de deixar o hospital, no início da noite, Borges foi levado para a Cadeia de Pedregulho."Essa estrada causou muitas mortes e nos preocupa, pois temos, todos os dias, vários alunos nossos em veículos de dez prefeituras da região vindo para cá", disse a coordenadora de Marketing da Apae, Olívia Campos. Segundo ela, a instituição tem 950 alunos de 11 cidades. Ontem, uma equipe multidisciplinar da Apae prestou assistência às famílias das alunas que estavam internadas na Santa Casa. Além das três garotas, outros quatro alunos de Rifaina costumavam ir para a Apae de Franca. Na segunda-feira, duas mães seriam levadas à associação com seus filhos pequenos, para receber treinamento sobre os cuidados especiais.As cinco vítimas serão enterradas hoje. Jaqueline Pereira Pinho, que pegava uma carona na Kombi, estava indo comprar seu vestido de noiva em Franca. O noivado aconteceria hoje.O prefeito de Rifaina, Hugo César Lourenço (PMDB), lamentou o acidente e decretou luto oficial de três dias. A prefeitura e o comércio ficaram fechados durante todo o dia de ontem. Lourenço diz que ainda espera uma providência do governo estadual sobre a "curva da morte". Segundo o prefeito, existe um ofício, assinado pelo então secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, em dezembro de 2007, que autoriza o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) a licitar um projeto de obra para o local onde ocorreu o acidente de ontem. "Ou se faz um viaduto ou se muda o traçada da curva", disse Lourenço. Nenhum representante do DER foi encontrado para comentar. Entre os anos de 2002 e 2006 a Rodovia Cândido Portinari teve 32 acidentes, com 23 mortes. Em maio de 2002, a poucos metros do local onde o caminhão e a Kombi se chocaram, um ônibus que levava 20 estudantes de Sacramento (MG) caiu em uma ribanceira ao fazer uma curva. Todas as pessoas que estavam no ônibus morreram.

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