Aluno de colégio da Polícia Militar é assassinado em Maceió

Família acredita que adolescente de 14 anos tenha sido morto por engano

Ricardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo,

21 Agosto 2009 | 11h39

O adolescente Lucas Mateus de Moura Silva, de 14 anos, foi morto a tiros na noite da quinta-feira, 20, no Conjunto Graciliano Ramos, na periferia de Maceió. A suspeita foi levantada nesta sexta-feira, 21, pela tia do adolescente na porta do Instituto Médico Legal Estácio de Lima, no bairro do Prado.

 

Segundo a tia de Lucas, que se identificou apenas como Flávia, o adolescente não tinha passagem pela polícia, não era usuário de drogas e tinha bom comportamento. "Ele vivia para os estudos e a bola", disse Flávia. Para ela, embora os tiros não fossem para seu sobrinho, "o crime precisa ser investigado e que não seja mais um a ficar impune".

 

Lucas já treinou na escolinha de futebol do Corinthians Alagoano, mas atualmente vinha defendendo as cores do clube do bairro, o Vila Real. Ele estudava no Colégio Tiradentes, mantido pela Polícia Militar de Alagoas. Na noite do crime, ele havia acabado de sair do treino do Vila Real e foi atingido na rua quando se dirigia a pé para sua casa.

 

De acordo com o relatório de ocorrências do Centro Integrado de Operações da Defesa Social, Lucas foi morto com um tiro no abdômen. A polícia apurou que o crime foi praticado por três homens armados, que fugiram em um veículo de cor branca. Lucas Mateus era filho único e morava com a mãe, que se encontra em estado de choque.

 

O corpo do adolescente deverá ser enterrado na tarde desta sexta, no Cemitério Nossa Senhora Mãe do Povo. Pela manhã, familiares do adolescente estavam no IML a espera da liberação do corpo de Lucas, que estava sendo submetido à necropsia. Os primeiros levantamentos foram feitos por policiais do 5º Batalhão da PM, mas será investigado pela Polícia Civil.

 

Outra morte por engano

 

Também noite desta quinta, o pedreiro José Humberto Silva, de 29 anos, foi assassinado a tiros na Rua da Floresta, no bairro do Tabuleiro do Martins, na parte alta da cidade. Segundo testemunhas, quatro homens em um veículo prata, de placa não anotada, se aproximaram da vítima e efetuaram os disparos.

 

De acordo com os primeiros levantamentos, José Humberto, conhecido como Beto, teria sido confundido com um criminoso que reside próximo ao local do crime. Agentes da Polícia Civil estiveram no local, colheram outras informações, mas não prenderam ninguém. O corpo do pedreiro foi submetido a exames no IML e liberado para sepultamento.

 

'Cultura da violência'

 

Em entrevista à imprensa, o novo presidente do Conselho de Segurança Pública do Estado, procurador da Republica aposentado Delson Lira, disse que apenas 5% dos homicídios em Alagoas são investigados. "Isso alimenta a impunidade e aumenta a violência no Estado, porque quem comete em Alagoas um homicídio tem 95% de chance de ficar impune", afirmou Lira.

 

Para ele, os altos índices de violência que colocam Alagoas como o Estado com o maior número de homicídios do País, em termos proporcionais, não estão associados apenas ao uso e à venda de drogas. "Há uma cultura da violência que precisa ser combatida e punida, para que prevaleça a cultura de paz. Por isso, é preciso que se invista pesado em políticas públicas", avalia.

 

Lira disse que a impunidade em Alagoas é antiga e não difere do país, mas vem crescendo de forma assustadora. Segundo ele, o Conselho de Segurança apresentou um relatório esta semana que constata esse quadro de impunidade. Com 360 páginas, o documento registra que das 3.658 mortes violentas entre 2005 e 2008, a polícia apurou apenas 219 (5,9% do total).

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