Aluno fere colega ao fazer roleta-russa em classe

Menino de 14 anos teria apertado gatilho 3 vezes; garota de 15 foi atingida no joelho, mas não corre risco

Daniel Gonzales e Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

Um garoto de 14 anos atingiu com um disparo de revólver calibre 38 uma colega de 15 anos dentro de uma sala de aula da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Geraldo Sesso Junior, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, na manhã de ontem. De acordo com informações da polícia e de outros estudantes, o tiro foi dado durante uma brincadeira de roleta-russa, no intervalo de duas aulas.Depois de se sentar na mesa do professor, colocar uma bala no tambor do revólver e girá-lo, o garoto teria apertado o gatilho duas vezes. Na terceira tentativa, o revólver disparou. A garota M.S.S. se feriu no joelho. Até a noite de ontem, seu estado era estável e ela não corria risco de morte. A aluna foi socorrida no Hospital de Vila Penteado e transferida para outra unidade particular. Às 19 horas, ela aguardava por uma cirurgia para a retirada de estilhaços, alojados em sua perna. O garoto foi levado à delegacia e à tarde, transferido a uma unidade da Fundação Casa. Hoje, deverá ser ouvido pela Promotoria de Infância e Juventude. Segundo o promotor Tales César de Oliveira, o pai e a mãe do aluno podem ser responsabilizados civilmente. "Precisamos saber o porquê do tiro, se houve intenção", disse Oliveira. Se o disparo for considerado proposital, ele pode ficar internado.O delegado do 45º Distrito Policial (Brasilândia), Vanderlei Antonio Pauliqui, disse que o disparo não foi intencional. O garoto teria encontrado a arma na casa de um tio, um vigilante. Lá dormiu e, no dia seguinte, levou o revólver para mostrar aos colegas. "Não diria que o tiro foi acidental, ele foi imprudente com essa atitude. O ferimento poderia ter acontecido com qualquer outro estudante", disse o delegado. Em depoimento, outros estudantes revelaram que o garoto havia levado a arma à escola em outras oportunidades.O motorista, de 38 anos, pai da menina que levou o tiro, estava indignado com a falta de policiamento escolar. "Cadê a ronda escolar? Cadê o policiamento? Não estou falando só por minha filha, mas por todos os outros alunos. É um abandono total pelas autoridades. Lá, ela não estuda mais." O motorista contou que à tarde recebeu um telefonema da delegada de ensino da Diretoria Regional de Educação da Freguesia do Ó/Brasilândia, a quem pediu a transferência imediata da filha para outra escola.O revólver e um estojo de balas foram apreendidos. O caso foi registrado como disparo de arma de fogo e lesão corporal e risco à vida de terceiros. O tio do adolescente será indiciado por porte ilegal do revólver e omissão de cautela. A Secretaria Municipal de Educação divulgou nota lamentando o ocorrido e informando que será aberta uma averiguação.

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