Alunos da Unicamp permanecem na Reitoria e querem unificação com alunos da USP

Eles ocupam o prédio desde a última quinta-feira, 3, após a reitoria autorizar a entrada da PM na universidade

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2013 | 19h38

CAMPINAS - Cerca de 200 estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram em assembleia, nesta segunda-feira, 7, manter a ocupação do prédio da reitoria, contra a presença da Polícia Militar no câmpus, e propuseram a unificação de movimento com os alunos da USP - também acampados na reitoria da universidade, em São Paulo.

Os alunos da Unicamp invadiram o prédio na quinta-feira, 3, após a reitoria autorizar a entrada da PM na universidade, como reação à morte do estudante de Mecatrônica Dênis Papa Casagrande, de 21 anos, durante uma briga em uma festa clandestina na câmpus.

Como reação, a reitoria anunciou, no dia 27, que autorizou o policiamento ostensivo da PM nos câmpus de Campinas, Piracicaba e Limeira. "O policiamento na USP, como já havia sido autorizado, provou que não houve queda de ocorrências dentro do câmpus", afirmou a estudante Diana Nascimento, de 23 anos, do Diretório Central Estudantil (DCE).

Com um carro de som emprestado do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), também contrário ao policiamento, estudantes aprovaram na tarde desta segunda-feira o pedido de saída da PM do câmpus e a unificação da luta com o movimento da Universidade de São Paulo.

Na USP, os alunos estão acampados na reitoria há uma semana. Eles pedem, entre outras coisas, eleição direta para reitor e o fim do conselho universitário. "Precisamos unificar o movimento nas estaduais para ganharmos força. A mudança do estatuto das universidades, provenientes da ditadura militar, é o que unifica ambos os movimentos, além da luta contra a repressão", dizem os estudantes, em nota assinada pelo movimento Juventude às Ruas.

A Justiça concedeu reintegração de posse do prédio com ajuda da PM, na última sexta-feira, 4, mas determinou que fossem esgotadas as possibilidades de retirada pacífica. Uma comissão de estudantes entrou em reunião com representantes da reitoria às 17h desta segunda-feira e, até o fechamento desta edição, o encontro não havia acabado.

Durante a assembleia de ontem, muitos estudantes foram contra o movimento e defenderam a presença da PM no câmpus para aumentar a segurança interna e evitar crimes.Para os responsáveis pela ocupação, autodenominados Juventude às Ruas, "a polícia não traz nenhuma segurança, prova maior disso é que no ano de 2004, o estudante Elgim Borges foi assassinado em Limeira dentro do câmpus pela polícia pelo fato de ser negro".

Punição.Outra proposta que os estudantes exigem é a não punição para os envolvidos na ocupação da reitoria e na organização da festa que terminou com a morte do estudante, na madrugada do dia 21.

Cerca de 3 mil pessoas participavam do evento, quando Casagrande foi morto, após levar uma facada no peito e ser espancado por um grupo de punks. O casal que admitiu ter dado a facada, Maria Teresa Peregrino, de 20 anos, e Anderson Mamede, de 20 anos, está preso.

A reitoria divulgou que não sabia da festa, admitiu que os 250 seguranças particulares que fazem a vigilância do câmpus são insuficientes para cuidar de eventos dessa proporção e informou que vai coibir novas festas.

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