DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Alunos de colégios militares são proibidos pelo Exército de participar de Olimpíada de História

Estudantes atribuem a proibição à tentativa de evitar que eles tenham contato com questões que façam alusão à Ditadura Militar. Competição é organizada pela Unicamp

Lígia Formenti , O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2019 | 07h00
Atualizado 20 de maio de 2019 | 18h15

BRASÍLIA - Os 14 mil alunos do Sistema Colégio Militar foram proibidos de participar da 11.ª Olimpíada Nacional de História do Brasil. O Departamento de Educação e Cultura do Exército atribuiu a decisão ao fato de a o evento “não atender ao interesse da proposta pedagógica do Sistema Colégio Militar”. Representantes tiveram acesso ao conteúdo  de algumas questões e consideraram inadequado para seus alunos. 

O Sistema Colégio Militar informou, em nota,  que "devido ao conteúdo apresentado em algumas questões, optou-se pela não participação no evento, por não atender ao interessa da proposta pedagógica [das suas unidades]". No entanto, não informou quais questões ou conteúdos não considerou adequado. 

A competição é coordenada pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico. São várias etapas de prova, até a disputa final, programada para o segundo semestre, em Campinas.

O Estado apurou que, entre os pontos que desagradaram militares, estava o uso de palavrões em textos das questões. A proibição  provocou indignação de estudantes. Eles ressaltaram que a medida destoa da conduta adotada nos colégios do sistema, que sempre foi o de incentivo à participação nesse tipo de competição.

Alunos atribuem a proibição à tentativa do departamento de evitarem que alunos do sistema tenham contato com questões que façam alusão ao período da Ditadura Militar. Professores foram encarregados de transmitir o comunicado da proibição para os alunos. Não foi informada qual a punição para aqueles que desrespeitarem a proibição e participarem das etapas de seleção.

A coordenação da olimpíada informou que a proposta da competição "tem auxiliado a milhares de estudantes em seu desempenho escolar, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em vestibulares e concursos”. Segundo a coordenação, as equipes dos colégios militares participam do evento desde a primeira edição, em 2009, “com brilhantismo, tendo já obtido inúmeras medalhas”. 

A coordenação também destacou que a participação é opcional e que não possui nenhuma ingerência sobre as decisões pedagógicas das escolas participantes. Ressaltou ainda que o objetivo principal do projeto é “incentivar o desenvolvimento da análise crítica e discussões sobre os mais variados temas”. Informou que as questões e atividades “são elaboradas com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais, Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)”. 

De acordo com a coordenação, neste ano, 73 mil alunos e professores se inscreveram na competição, o que corresponde a 18,5 mil equipes. Desse total, 16,6 mil grupos seguiram para a segunda fase, que teve início na segunda-feira, 13.

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