Alunos de Direito criam "Pindura Solidário"

Os alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), decidiram comemorar o tradicional "Dia da Pindura", de 11 da agosto, de uma forma diferente. Ao invés de comer em restaurantes e "pendurar a conta", saindo sem pagar, eles resolveram fazer o caminho inverso: às 17h de hoje, vão distribuir refeições aos cerca de 300 sem-teto do centro de São Paulo, onde está localizada a centenária faculdade.Segundo o coordenador do "Centro Acadêmico (CA) 11 de Agosto", da São Francisco, Daniel Campos de Carvalho, cerca de 50 alunos e familiares vão se mobilizar hoje para preparar e servir o sopão de legumes à população carente. "Esperamos que o ´pindura solidário´ se espalhe entre as faculdades e se torne uma tradição também", disse.A iniciativa de não pagar a conta na data de hoje é a forma de comemorar o Dia do Advogado entre os estudantes de Direito de todo o País. A prática se iniciou um ano depois de serem fundados os cursos jurídicos no Brasil, em 1827. Nos primeiros anos, a iniciativa partia dos proprietários de restaurantes, que se negavam a receber o dinheiro naquele dia. Acostumados com a gentileza dos comerciantes, os alunos da São Francisco passaram a não querer pagar as despesas feitas em 11 de agosto. O hábito de pedir para pendurar a conta deu origem ao "Dia da Pindura", que se espalhou da USP para as demais faculdades. Atualmente, o "pindura tradicional" manda que os estudantes informem o calote somente na hora de sair, cantando os versos: "Garçom, tire a conta da mesa e bote um sorriso no rosto; seria muita avareza cobrar no 11 de agosto". Há também o "pindura diplomático", quando os jovens avisam antes que não vão quitar a conta e negociam com o restaurante. E, por fim, o "pindura selvagem": comer e sair correndo.Nos últimos anos, a prática começou a irritar os donos de restaurantes. Segundo um dos diretores do CA da São Francisco, Gabriel de Oliveira, com o aumento do número de cursos de Direito, a tradição ficou banalizada e violenta. "Alguns estabelecimentos contratam até seguranças para brigar com os estudantes". De acordo com Oliveira, é para combater o desgaste do hábito que os 2.000 alunos da São Francisco decidiram este ano dar um caráter social ao dia 11 de agosto. "Vamos inverter a lógica; em vez de agir em benefício próprio, vamos usar o ´pindura solidário´ como forma de reflexão sobre a profissão do advogado e sobre a sociedade".

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