Alves será indiciado por cinco crimes

Conclusão do inquérito deve acontecer em dez dias

Camilla Haddad e Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

20 Outubro 2008 | 00h00

A morte de Eloá, de 15 anos, complicou ainda mais a situação criminal de Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, o ex-namorado da jovem, que a manteve em cárcere privado por 100 horas. Segundo o seccional de Santo André, delegado Luiz Carlos dos Santos, Alves seria inicialmente autuado em flagrante por três tentativas de homicídio, mas, agora, responderá por homicídio doloso e duas tentativas de homicídio, além de cárcere privado e periclitação de vida. A polícia diz já ter certeza de que os tiros que mataram Eloá e feriram Nayara foram disparados pela arma calibre 32 que Alves portava no cativeiro. Santos considerou que o jovem, além de atirar nas garotas, disparou contra um sargento da Polícia Militar que coordenava as negociações na segunda-feira. O seqüestrador está preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros (CDP), na zona oeste de São Paulo. Pelas apurações iniciais, é possível saber que três tiros foram disparados após a invasão da unidade da CDHU - há marcas de bala na parede e no escudo de um policial. Segundo o seccional, o depoimento de Nayara é fundamental para esclarecer se houve um tiro antes da invasão. "Ela pode esclarecer várias dúvidas e facilitar a reconstituição. Pode falar principalmente de como ele (o seqüestrador) agiu. Mas estamos tranqüilos em relação à autoria do crime", afirmou o titular do 6º DP, Sérgio Luditza. Ele observou que a arma de Alves, carregada com cinco balas, foi apreendida com quatro espaços vazios no tambor e um projétil "picotado". "Ele atirou, mas a munição falhou." Além disso, os cinco policiais do Gate utilizavam pistolas .40 na hora da invasão. O tiro disparado por eles partiu de uma espingarda calibre 12 que estava carregada com munição de borracha. "A olho nu podemos dizer que as balas retiradas da virilha de Eloá e da face de Nayara são de calibre 32", disse o seccional. A polícia deve receber hoje os projéteis retirados dos corpos das meninas. As armas dos policiais (pistolas, espingardas e submetralhadoras), além do escudo, seguiram para perícia. Como a prisão foi em flagrante, explicou o seccional, o prazo para a conclusão do inquérito é de dez dias. A polícia ainda não sabe a procedência do revólver calibre 32 usado por Alves para atirar nas reféns porque ela não tem registro. No apartamento também havia uma espingarda calibre 22, que seria da família de Eloá. Até ontem, 18 pessoas já haviam prestado depoimento à polícia, incluindo os policiais que participaram da invasão do apartamento. O Estado teve acesso ontem ao diálogo das negociações entre o seqüestrador e o Gate. Nesse é possível notar como o descontrole do rapaz aumenta com o passar das 100 horas. Alves diz que "não tem nada a perder", manda as reféns se calarem e chega a sugerir ao negociador, o capitão Adriano Giovaninni, de 37 anos, que mande a polícia invadir o local. Logo no começo da gravação, na segunda-feira, Alves fala, em tom exaltado, que não quer nada e não irá se entregar. Quando a luz é religada, promete libertar as garotas em "40 minutos". O que não ocorre. Novas promessas são feitas, conforme se ampliam as garantias, mas nenhuma foi cumprida.

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