AMA é inaugurada com déficit de médicos na zona oeste de SP

Em unidade aberta há 6 dias, pediatras e clínicos faltaram, e máquina de raio X não funcionou

Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2008 | 00h00

Está tudo tinindo de novo: salas, recepção e consultórios. Mas faltam médicos na Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Paulo VI, inaugurada há seis dias, na zona oeste de São Paulo, pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ontem, os dois pediatras prometidos na inauguração não compareceram. Um clínico geral, dos três previstos, trabalhou, após chegar com quase três horas de atraso. O raio X não funcionou.A Secretaria de Saúde admitiu a falta dos médicos e garantiu ter exigido da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), parceira no atendimento, medidas com relação aos ausentes. Prometeu atendimento normal a partir de hoje e a entrega do aparelho de raio X nos próximos dias.Os pacientes saíram frustrados. Muitos tinham passado antes na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim São Jorge. Não foram atendidos lá por causa da reforma para receber outra AMA nos próximos dias. Os funcionários de lá os encaminharam para a AMA Paulo VI.Isabel Cristina dos Santos Rabelo, de 32 anos, chegou à unidade às 7h30 com o sobrinho Rafael, de 5 anos, que se acidentou com uma bicicleta. ''Disseram que não podiam atender porque não tinha pediatra. Mas, como ele estava com muita dor, exigi que qualquer médico o atendesse. Só conseguimos passar pelo clínico às 11 horas.'' Segundo ela, o médico explicou que não tinha como fazer exame de raio X e os encaminhou para um pronto-socorro próximo. ''Eles providenciaram a ambulância para a remoção, mas achei o atendimento ruim.''A dona de casa Claudia Freitas Alves, de 37 anos, levou à AMA o filho Fábio, de 1 ano e 4 meses, com tosse e febre, às 9 horas. ''Informaram que não tinha pediatra e talvez tivesse amanhã (hoje).'' Ela foi para a cidade de Cotia, onde um médico particular atende pelo convênio do marido.Eliene Soares, de 33 anos, mãe de Tainá, de 5 anos, foi cedo para a UBS Jardim São Jorge. A menina tinha passado a noite com dores no ouvido e febre. ''No posto disseram que não tinham como me atender, por causa da reforma, e me mandaram para a AMA.'' Foram 20 minutos de caminhada e outra decepção. ''Não tinha pediatra nem previsão.'' Apesar do dinheiro da passagem contado, ela optou por pegar um ônibus e buscar ajuda para a filha em um pronto-socorro próximo.Com uma febre de mais de 40 graus, Maria Eduarda, de 9 anos, acabou sendo atendida pelo clínico geral. ''Disseram que só tinha clínico. Fomos bem atendidas, mas não era essa a promessa do prefeito'', afirmou a avó, Maria Vieira Alves, de 54 anos.Rubeni Soares, do conselho gestor da AMA e da UBS, disse que logo cedo estava na unidade para acompanhar o atendimento. ''O clínico chegou às 9h30, quando deveria estar ali às 7 horas.''

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