Amador engajado dá lugar a expert em marketing

No fim da década de 1980, tanto o alfaiate José Raimundo de Castro quanto o músico Hilton Acioli não cobraram um centavo para escrever os jingles que se tornaram símbolos dos candidatos José Maria Eymael e Luiz Inácio Lula da Silva. Eram outros tempos. Hoje, há uma rede de profissionais especializada em, literalmente, transformar em música para os ouvidos as propostas dos candidatos. A maioria das empresas trabalha fazendo jingles comerciais e aproveita a época das eleições para faturar.

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

Ricardo Engels Garay, sócio da produtora Jinga, não fala em valores, mas diz que em ano de eleição é como se houvesse um mês a mais na receita da empresa. O publicitário PC Bernardes, dono da Amics Áudio, diz que as eleições municipais são um período melhor para as empresas do que quando há disputa para a Presidência. "Em eleições para presidente e governador, você tem no máximo umas 60 campanhas grandes pelo País. Já nas municipais, você tem pelo menos umas mil que compensam. O mercado é maior."

O professor do curso de publicidade do Mackenzie Adolpho Queiroz diz que essa profissionalização do que antes tinha ares de amadorismo pode ser uma das explicações de por que os jingles das eleições recentes não ficaram na memória do eleitor. "Os marqueteiros tem utilizado técnicas e instrumentos muito parecidos e isso nivela as campanhas por baixo."

O especialista em marketing político Carlos Manhanelli tem outra explicação: "Os jingles que marcam mais são os das campanhas que estão mais aquecidas". "Por exemplo, o do Jânio Quadros na década de 60. Qualquer pessoa com mais de 40 anos, se você falar "Varre, Varre", canta o resto. Depois, tivemos a campanha do Lula, que também foi altamente emocional. As outras não foram tão emotivas", avalia. "Então, por melhor que seja o jingle, ele não gruda, não vira o famoso chiclete de ouvido."

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