Amazonas corre risco de ter maior enchente desde 1953

Rio Negro, que corta a capital do Estado, tem subido cerca de 5 centímentros por dia, 2 a mais que a média

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2009 | 16h40

O Rio Negro está subindo cerca de cinco centímetros por dia e alcançou nesta quarta-feira, 22, 28,46 metros. O número está 23 centímetros acima do medido neste mesmo dia em 1953, quando foi registrada a maior cheia no Amazonas. "Tudo caminha para que essa cheia seja a maior dos últimos cinquenta anos", disse o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Oliveira.  

 

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A média normal da subida do Rio Negro nessa época do ano é de dois centímetros por dia. O acompanhamento da medida das águas do rio, feita no principal porto de Manaus, é realizado desde 1902. Desde então, a maior cheia registrada no Estado ocorreu em junho de 1953, quando um rio da região atingiu 29,69 metros.

 

A Defesa Civil do município estima que 3 mil casas sejam atingidas pela cheia na zona urbana de Manaus, além de cerca de outras 200 em comunidades da zona rural. Segundo a assessoria do órgão, os bairros mais afetados pela cheia em Manaus serão São Raimundo, Glória, Matinha, Presidente Vargas, Bariri, São Jorge, São Geraldo, Bairro do Céu e Aparecida, todos nas zonas oeste e sul da cidade, circundadas pelo Rio Negro. Está previsto para que, até o fim desta semana, sejam removidas pelo menos 350 famílias que moram em áreas de risco, em palafitas sobre igarapés da cidade.

 

Segundo informações da Defesa Civil, serão construídas marombas (assoalho levantado à medida que a água sobe) dentro das casas onde não há risco de submersão total, ampliação das obras de pontes de acesso às casas, gerenciamento de abrigos temporário, distribuição de alimentos, água potável e roupas, além de assistência médico-ambulatorial, prevenção contra endemias e epidemias.

 

Os 62 municípios do Amazonas estão há quase um mês em estado de emergência, sendo os mais atingidos os localizados na calha do rio Solimões, como Benjamim Constant, Atalaia do Norte e Tabatinga, distantes mais de mil quilômetros da capital. A Defesa Civil Estadual estima que 34 mil famílias possam ser atingidas pela cheia este ano.

 

Segundo a assessoria da Defesa Civil Estadual, já há disponíveis 400 cartões de banco com depósitos de R$ 300 em cada e cerca de 70 mil cestas básicas para serem distribuídos, além de remédios, cobertores, mosquiteiros, colchões e kits de limpeza. O Exército deverá fazer as distribuições, ainda sem data de entrega.

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