Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Ambiente de emoção durante encontro de Francisco com membros da sociedade civil

Historiador emocionou convidados e índios pediram ajuda ao papa

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

27 Julho 2013 | 14h45

Atualizado às 15h48

RIO - Escolhido para saudar o papa Francisco na cerimônia deste sábado, 27, no Theatro Municipal, o historiador Valmir Júnior, de 28 anos, morador da favela Marcílio Dias, no Complexo da Maré, encerrou seu discurso com choro, um pedido de bênção e um abraço apertado no pontífice. Emocionado desde o início do pronunciamento, o jovem relatou a perda dos pais, a dependência química das drogas, a possibilidade de envolvimento com o tráfico, a possibilidade de extermínio, o curso universitário com bolsa de estudos e seu engajamento na Pastoral da Juventude da Igreja Católica no Rio de Janeiro. “Santo Padre, abençoa-me, abençoa nossa juventude, abençoa a todos nós”, disse, chorando, sob aplausos.

Foi um dos momentos mais fortes do encontro de Francisco com representantes da sociedade civil - uma denominação eclética, que incluiu o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, o poeta Ferreira Goulart, o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) e o sambista Monarco. O Theatro Municipal lotou cedo com uma assistência que se preparou para a chegada do pontífice sob a regência do maestro Silvio Viegas, cantando, com o coro, “Onde reina o amor”, e ouvindo peças de Villa-Lobos, como a Bachiana Número 7 , e de Francisco Mignone, o "Maracatu de Chico Rei".

O ambiente de emoção cresceu depois do pronunciamento do papa, quando entraram no palco cerca de 30 meninas, que se sentaram em torno do papa, e uma fila de representantes da sociedade se formou para cumprimentar Francisco. Alguns aproveitaram para trocar rápidas palavras com o papa ou lhe entregar documentos. Um deles foi Adriano Dias Gomes Karajá, de 22 anos, da tribo Karajá, no Tocantins, que deu a Francisco um cocar e uma carta pedindo a ajuda para impedir as "ameaças" contra os territórios indígenas representados pelos grandes projetos, como hidrelétricas, estradas, e avanço do agronegócio.

"Pedimos ao papa que ele interceda junto ao governo federal para nos deixarem em paz em nossas terras. Lá não estamos prejudicando ninguém. Depois o abracei, e ele me deu um beijo no rosto", contou Karajá, que é evangélico da Igreja Batista e foi selecionado para entregar a reivindicação ao papa pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O papa chegou a colocar o cocar na cabeça, arrancando aplausos.

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