Ambulante é detida por acorrentar filho de 5 anos na Bahia

O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Salomão Resedá, vai decidir na segunda-feira, 24 se a ambulante Gleide Souza continuará presa por ter acorrentado um dos filhos, de 5 anos, enquanto vendia garrafas de água mineral, na Estação da Lapa, centro de Salvador, a maior da capital baiana. Gleide pode responder processo por crimes de cárcere privado e maus tratos e perder a guarda da criança. Ela foi flagrada pelos comissários do juizado, depois de uma denúncia de um dos usuários do terminal. Na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca), a ambulante, de 36 anos, disse que o garoto, muito irrequieto, não a deixaria trabalhar, pois poderia atravessar a pista e ser atropelado. A saída, segundo ela, foi manter um dos braços do menino preso a uma corrente, trancada com cadeado. Abalada, Gleide acrescentou que não teve alternativa, pois se não vendesse as garrafas seria pior, pois ficaria sem dinheiro para comprar comida e a criança sofreria ainda mais.A região metropolitana de Salvador tem cerca de 3 milhões de habitantes, mas apenas 10 creches públicas para as mães trabalhadoras. Para quem trabalha no mercado informal, a situação é ainda mais grave, pois as mães têm de trazer os filhos pequenos para a rua, por falta de opções, quando não contam com parentes ou vizinhos em quem se pode confiar. No caso de Gleide, comissários do juizado anteciparam que, independentemente da decisão do juiz Resedá, a ambulante vai receber orientação para evitar repetir a ocorrência.

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