Ambulantes não conseguem retirar materiais apreendidos no Rio

Secretaria exige que mercadorias apreendidas em 'Choque de Ordem' passem por verificação antes da liberação

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 18h10

Cinco dias após o início da operação "Choque de Ordem", que apreendeu mais de 200 toneladas de mercadoria, nenhum ambulante conseguiu retirar produtos ou material de trabalho dos depósitos da prefeitura do Rio. Diferentemente do que informavam os fiscais quando faziam as apreensões, a Secretaria de Ordem Pública informou que é necessário um processo administrativo para verificação da legalidade e posse da mercadoria, com duração de até cinco dias.   Veja também: Com Choque de Ordem, fiscalização encontra comida estragada Em 3 dias, 'Choque de Ordem' apreende 100 toneladas de produtos Prédio irregular é demolido no Rio em ação contra sem-teto Paes e Cabral assinam convênio para aumentar salário de PMs  Rio combate publicidade irregular com 'Choque de Ordem' As promessas de campanha de Eduardo Paes    Nesta sexta-feira, 9, dezenas de camelôs faziam fila no depósito da Coordenadoria de Fiscalização e Licenciamento, em Bonsucesso, na zona norte, para apanhar o auto de apreensão necessário para o iniciar o processo para recuperação da mercadoria.    No centro do Rio, o número de ambulantes já era visivelmente menor. Fontes da prefeitura afirmam que a operação, que a partir de quinta passou a atacar depósitos ilegais de mercadorias, visa a "secar a fonte" dos ambulantes sem o desgaste político da repressão aos camelôs nas ruas. Entre os ambulantes, porém, o clima era de revolta. Com medo de supostas represálias, nenhum deles quis se identificar, mas vários disseram que a "Choque de Ordem" tirou a única fonte de renda de centenas de pessoas. "Tenho até o dia 15 para pagar a pensão do meu filho. Se não voltar a trabalhar, pego uma faca e vou para a pista (rua) ganhar dinheiro", ameaçava um homem em frente a um depósito clandestino fechado na quinta pela prefeitura.   O mais revoltado na fila do depósito em Bonsucesso era o líder comunitário acusado de chefiar uma milícia, Marco Aurélio França Moreira, o Marcão, dono de um prédio irregular na orla do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, destruído pela prefeitura na segunda-feira. Ele acusou os fiscais de "sumirem" com quatro computadores, dinheiro e uma mala de alumínio com documentos e disse que é vítima de perseguição política.   "Vários prédios no Recreio são irregulares, porque apenas o meu foi demolido?", questionou Marcão, que é o terceiro suplente de deputado federal do PSC. Acompanhado de advogado, ele anunciou que vai entrar com um recurso pela manutenção da posse do terreno e processará a prefeitura do Rio por perdas e danos. Cabo eleitoral do prefeito Eduardo Paes (PMDB) durante a campanha, se disse arrependido do apoio. "Ele usou muito os meus carros na campanha para fazer isso. O fato é que ele está colado com o governo federal e estadual e se sente o dono do mundo", afirmou o líder comunitário.   Por meio de sua assessoria, o secretário de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, se limitou a afirmar que a demolição do prédio foi feita dentro da legalidade.   Operação   Nesta sexta, um homem que transportava ilegalmente passageiros em uma Fiat Doblô, ao "furar" a barreira de uma blitz da Guarda Municipal na Avenida Presidente Vargas, no centro, perdeu a direção do veículo, que bateu em um ônibus na Lapa. Ele fugiu, deixando passageiros em pânico dentro do veículo, que estava proibido de circular pela Detran. Ninguém ficou ferido.   No camelódromo da Uruguaiana, no centro, doze pessoas foram detidas pela polícia e foram apreendidos cerca de 150 relógios e 100 telefones celulares. Os suspeitos por receptação de mercadoria roubada foram levados para a 1ª Delegacia de Polícia para averiguação. No mesmo local, um homem que vendia chumbinho foi preso. Na Glória, como em outros pontos da cidade, vários moradores de rua recolhidos durante a semana voltaram para as ruas.

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