Ambulantes voltam à Paulista

Os camelôs voltaram a se instalar na Avenida Paulista, em São Paulo. Nesta terça-feira à tarde, pouco mais de 45 bancas estavam montadas ao longo da via, vendendo de CDs piratas a espanadores."É a classe alta que não quer a gente aqui", reclamou o ambulante Eugênio Néri dos Santos, de 49 anos. Ele vendia capas para celulares nas proximidades da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Vários ambulantes estavam concentrados na região. Depois de perder o emprego em 1999, Santos resolveu tentar a sorte na rua. Ele escolheu a Paulista porque dificilmente consegue vender em outros pontos. "Aqui, de mil pessoas que passam, uma acaba comprando."Ele disse que os fiscais passaram menos esta semana, mas ele procura fugir assim que avista um veículo da Prefeitura. "Quando o caminhão aponta lá, a gente sai", afirmou. "Se arrumasse um emprego de R$ 400, ia embora." A maior parte dos camelôs que estavam nesta terça-feira na região vendia passes de ônibus. Menores, as bancas podem ser transportadas facilmente caso apareça algum fiscal. Havia também muitos vendedores de refrigerantes, com carrinhos móveis, que preferiam ir atrás de possíveis compradores."Andando, não falam nada", esclareceu o ambulante Adonias Pinto Alves, de 33 anos, que andava pela avenida com vários espanadores pendurados. Os fiscais foram vistos apenas duas vezes nesta terça pelo ambulante Nivaldo Antônio dos Santos, de 26 anos. "O pessoal, quando passa, quer tirar a mercadoria", protestou.O camelô Paulo Santana, de 33 anos, também acha que a repressão diminuiu. "Agora está bem mais tranqüilo", ressaltou.A reportagem caminhou por toda a Avenida Paulista nesta terça à tarde e encontrou apenas três fiscais da Prefeitura sentados em um veículo no Parque Trianon. Nenhum guarda civil foi visto. O secretário de Implementação das Subprefeituras, Arlindo Chinaglia, admitiu que houve falhas na fiscalização. "Vamos corrigi-las imediatamente", prometeu. "Posso garantir que amanhã (quarta-feira) não haverá camelôs na Paulista." Ele prometeu ir pessoalmente até a avenida no início da manhã.

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