Ameaça de líder do PCC é desabafo e não ordem, afirma polícia

Reprodução/AE Fax com alerta de diretor de presídios sobre possíveis ataques do PCC. Clique para ampliar a imagemA ameaça de seqüestro de autoridades feitas pelo preso Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, nos corredores do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes na sexta-feira passada, é vista pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil Paulista apenas como um desabafo e não uma ordem para ser cumprida pelos integrantes da organização.Carambola alardeou as ameaças aos berros logo depois de saber, por intermédio de um advogado, que policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) revistaram a casa de sua mulher, Jaqueline Maria do Amaral Moraes.Na diligência, policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) apreenderam extratos de depósito bancário que revelam que Jaqueline recebe uma mesada de origem ignorada em torno de R$ 15 mil mensais, cadernos de anotações e correspondências amorosas entre o casal. ?Ele não gostou da notícia e teve uma crise histérica. Começou a gritar que a paz tinha acabado e que o braço armado da facção voltará a agir. Também disse que autoridades serão seqüestradas com objetivo de se negociar o fim da opressão no sistema carcerário?, disse um agente do presídio.Policiais e promotores que investigam as ações da facção, no entanto, não acreditam que as ameaças tenham ultrapassado as muralhas do presídio. Os policiais do serviço de inteligência estão atentos nas interceptações e nada captaram nesse sentido. AtaquesDois dias antes das ameaças de Carambola, o diretor técnico Márcio Alexandre Betti, da Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste, encaminhou à Polícia Civil um comunicado em caráter ?urgentíssimo?, alertando sobre possíveis ataques a 20 funcionários de presídios.Na correspondência datada do dia 26 de julho, o diretor relata que um preso delatou que cinco advogados foram incumbidos de levantar dados de funcionários e diretores de presídio da região Oeste. As informações seriam utilizadas em futuros atentados. O delator disse ainda que os ataques teriam apoio de integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Comando Vermelho. O comunicado informa ainda que a facção também tem a intenção de atacar juízes e promotores das Varas de Execuções Criminais de Araçatuba e São José do Rio Preto. O alerta levou juízes e promotores da região a reforçar a própria segurança. Um promotor das Execuções de Rio Preto, que atua diretamente com detentos ligados ao PCC, chegou a solicitar escolta policial.Advogada presaO Departamento de Inquérito Policiais e Polícia Judiciária (Dipo) do Tribunal de Justiça de São Paulo negou ontem pedido de relaxamento de prisão da advogada Maria Cristina de Souza Rachado, defensora de Marcos Willians Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC.Maria Cristina foi presa no último dia 20 de julho pelo Departamento de Investigações Criminais da Polícia de São Paulo (DEIC), acusada de formação de quadrilha armada. Segundo a polícia, ela recebia seus honorários do caixa da facção e usou integrantes da quadrilha para ameaçar supostos desafetos. A advogada está presa no 89º DP (Portal do Morumbi).

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