Ameaça tucana em Brasília reflete na discussão do orçamento em SP

A ameaça tucana parece estar surtindo efeito. Depois de deputados do PSDB traçarem um plano de obstrução do orçamento federal, em Brasília, as duas bancadas na Câmara Municipal de São Paulo começaram a ter conversas mais amenas. Apesar de os petistas continuarem com o discurso a favor de 5% de índice de remanejamento, em vez dos 15% pedidos pelo prefeito eleito José Serra (PSDB), líderes das duas legendas travaram nesta segunda-feira diálogos bem menos ríspidos do que nos últimos dias."No momento final, acho que o PT vai lembrar o gesto do PSDB e repetir o que fizemos em 2000, ao aprovarmos 15% para o primeiro ano da prefeita Marta Suplicy (PT)", disse o vereador tucano Marcos Zerbini, interlocutor de Serra na Câmara. "Acho que o bom senso de ambas as partes vai prevalecer".O líder do governo Marta na Casa, vereador João Antônio (PT), explicou que o PT ainda está ao lado do Centrão, que defende os 5%. Ponderou, porém, que não há nada definido. João Antônio disse que não foi procurado, neste fim de semana, por nenhum líder nacional do partido, mas mandou recado: "Não vamos ser marionetes na mão de ninguém". Em seguida, amenizou: "Estamos abertos ao diálogo e, se nos apresentarem argumentos políticos, podemos repensar".Além de facilitar a vida do futuro prefeito em seu primeiro ano de gestão, os tucanos esperam que um acordo para a votação do orçamento abra outras portas. Os vereadores do PSDB acreditam que isso pode abrir uma ponte para outro diálogo importante: a disputa pela presidência da Câmara, que Serra espera ver ocupada por Ricardo Montoro. "É o próximo passo", acredita um tucano.Nesta segunda-feira, em sessão extraordinária, os vereadores encerraram a discussão do projeto de lei do orçamento. Deixaram a proposta em condições de ser votada. Para ser aprovado ou rejeitado, são necessários 28 votos. As opções do PSDB são rejeitar o texto e, com isso, aprovar o projeto original de Marta com os 15%, ou aprovar em destaque a emenda apresentada pelo partido, que muda o índice de 5%, como aprovou a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, para os 15% que Serra quer.

Agencia Estado,

20 de dezembro de 2004 | 21h06

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