Ameaçadas, presas são transferidas

Duas sul-africanas e uma armênia foram levadas para o interior do Estado; houve cinco agressões em um mês

Josmar Jozino e Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

14 Outubro 2008 | 00h00

Com medo de morrer, duas presidiárias sul-africanas e uma armênia foram transferidas no mês passado da Penitenciária Feminina de Sant?Ana, na capital paulista, para a Penitenciária Feminina de Tremembé, no Vale do Paraíba. O presídio é destinado normalmente para detentas brasileiras que tiveram problemas em outras carceragens. A unidade também abriga Anna Carolina Jatobá, acusada de matar a enteada Isabella Nardoni, de 5 anos, em 29 de março deste ano. Segundo denúncias de agentes penitenciários, as agressões às estrangeiras na Penitenciária Feminina da Capital começaram em 8 de março deste ano. Funcionários disseram que a presa N.G., de 44 anos, da Malásia, foi agredida por um grupo de brasileiras. A detenta é hinduísta e, por princípios religiosos, não se envolve em briga. "Ela é pacifista e apanhou calada. Ainda foi ameaçada de morte", contou um agente. ''ESCORREGÃO'' No dia seguinte às agressões, a presa da Malásia foi levada ao Pronto-Socorro Municipal Doutor Lauro Ribas Braga, mais conhecido como PS de Santana, na zona norte. N.G. afirmou à médica Kátia Pereira da Silva que "as agressões eram recorrentes". Mas, para representantes do Consulado de Malásia, preferiu dizer que só escorregou na cozinha, para evitar problemas na prisão. "Ela apresentou essa versão porque está com medo de morrer", acrescentou um agente. Os mesmos funcionários afirmaram que pelo menos quatro sul-africanas e uma armênia também foram agredidas por brasileiras. Os cinco casos ocorreram no mês passado. G.F.M. foi agredida no dia 26. A sul-africana, no entanto, não se intimidou com as rivais e partiu rapidamente para o revide. "Ela é uma negra muito forte. Apanhou, mas também bateu. Deu sorte e já saiu em liberdade", revelou um funcionário. As sul-africanas C.J.E. e A.W. também foram agredidas. Elas e a detenta armênia S.C.A. foram juradas de morte pelas brasileiras. Para evitar o pior, a direção do presídio paulistano transferiu, em 24 de setembro, as três estrangeiras para a Penitenciária de Tremembé, no interior do Estado. CASOS Malásia: N.G., de 44 anos, foi agredida em 8 de março de 2008. Ela é hinduísta e não reagiu aos ataques, que acabaram posteriormente relatados a uma médica Armênia: S.C.A. sofreu agressões e foi transferida para Tremembé em 24 de setembro. África do Sul 1: G.F.M. foi agredida em 26 de setembro. Já saiu em liberdade. Apanhou das brasileiras, mas reagiu África do Sul 2: A presa C.J.E. também apanhou e foi transferida em 24 de setembro, juntamente com a compatriota A.W., para Tremembé África do Sul 3: T.D.S teve o braço quebrado e foi violentada com pedaços de pau. Só fez exame de corpo de delito quatro dias depois. Presas torceram o pescoço dela. A sul-africana, mesmo com seqüelas, está no seguro para não ser assassinada, desde 23 de setembro Sem identificação: Outra estrangeira, que levou um soco no nariz, apanhou muito em 4 de setembro. Segundo denúncias, as presas que a agrediram foram identificadas, mas não sofreram nenhuma punição. Por conta disso, as 340 presas estrangeiras fizeram uma paralisação, no dia 7, e exigiram a punição das agressoras, que seriam ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O Estado não se pronunciou sobre o caso

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