Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Ameaçados, PMs que voltaram ao trabalho mantém 'greve branca' na Bahia

Policiais veem ocorrências, mas não fazem nada em Salvador e dizem que foi 'ordem que receberam'

Diego Zanchetta, enviado de O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2012 | 18h27

SALVADOR - Policiais militares que voltaram ao trabalho nas ruas de Salvador relataram ao Estado ameaças de colegas grevistas. Os poucos soldados que não estão mais parados foram colocados nesta quarta-feira, 7, pelo governo estadual perto de pontos turísticos como o Pelourinho e o Mercado Modelo. Eles dizem estar "orientados" pelo comando da paralisação a manter o que chamavam de "greve branca".

Os PMs ficam o tempo todo parados dentro das viaturas, sem fazer qualquer ronda ou atendimento à população, como no caso das batidas entre automóveis ou tumultos provocados pelos constantes boatos que voltaram a fechar parte do comércio no centro de Salvador, como observou a reportagem.

Por volta das 12h20, houve boato entre lojistas de que manifestantes haviam parado a Avenida Luís Viana Filho, a principal da cidade. Logo portas de lojas ficaram meia abertas na Avenida Sete de Setembro. Os quatro PMs que estavam em uma Parati no meio da praça observaram o princípio de tumulto sem sair de dentro do carro.

"Não podemos atender chamado de roubo de carro nem de batida entre automóveis. Quando nós voltamos ficou acertado que nós só ficaríamos dentro das viaturas. Ninguém pode descumprir essa ordem. Quem não cumprir vai ser depois perseguido dentro da corporação. Tem muita gente do comando dentro dessa greve meu amigo", contou um soldado ao Estado, ao ser questionado pelo motivo de não ter saído do carro após a correria no centro. "Se a gente não ganhar a gratificação agora antes do carnaval depois o governador vai esquecer a gente", contou outro soldado, que defende a paralisação, mas voltou a trabalhar "a pedido da chefia".

Acidente. Ao lado do Farol da Barra, dois soldados observaram também sem sair da viatura uma colisão entre uma Meriva e um Corsa na altura do número 200 da Avenida Almirante Marques Leão, por volta das 15h30. Os soldados sequer foram checar se as duas mulheres do Corsa, que permaneceram dentro do veículo, estavam feridas.

"Por sorte ninguém se machucou, foi só o prejuízo do carro mesmo", disse logo após a colisão à reportagem a vendedora Cristiane Rose da Silva, de 27 anos, que dirigia o Corsa. O motorista da Meriva, o bancário Rosinaldo Gallo, de 44 anos, também não teve ferimentos.

Na Praia da Armação, a reportagem também foi conversar com dois cabos que estavam dentro de uma viatura em um posto de gasolina. Eles também argumentaram que receberam aviso do comando da greve "para não sair de dentro da viatura". "Tenho dois filhos, não quero ser o herói de tentar proteger sozinho a população no meio da greve", justificou de forma ríspida à reportagem um dos cabos.

Violência. A madrugada e todo o dia também teve registros de violência na capital baiana, com quatro assassinatos, sete assaltos a ônibus coletivos e 36 carros roubados. A população reclama que o Exército não tem feito patrulha à noite nos bairros da periferia. "Lá na região de Marechal Rondon não tem soldado e está tendo assalto no comércio toda hora", reclama o camelô Carlos Silvestrino, de 31 anos.

Em Feira de Santana, a 109 km de Salvador, tropas do Exército montaram pequenas bases perto de seis hospitais e de prontos-socorros da periferia com medo de saques aos estoques de remédios e para garantir a segurança de médicos e de enfermeiros que já ameaçavam parar de trabalhar devido à falta de policiamento.

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