Americanos vão interrogar brasileiro que comprava droga das Farc

O traficante Daniel Alvarez Georges de 36 anos, um dos principais compradores de cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ligado à quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira- Mar e preso em São Paulo, deverá ser ouvido pelos agentes dos setores de combate aos narcóticos dos Estados Unidos. Georges foi preso na quarta-feira, após desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, procedente de Medellín, na Colômbia.Ele disse aos policiais como funciona a conexão da droga Brasil-Europa e Brasil-Estados Unidos. Disse que a cocaína vendida pelas Farc sai da Colômbia em aviões, é deixada em pistas de fazendas em Mato Grosso do Sul é embarcada em caminhões para São Paulo e depois mandada para o exterior. Georges informou que o grupo usa aeroportos de São Paulo para mandar cocaína para as ilhas do Caribe e de lá a droga é levada para os Estados Unidos."Ele e seu grupo conseguem embarcar a droga junto com mercadorias de empresas que exportam e os empresários nem sabem que o tráfico está usando a empresa", disse o delegado Olavo Reino Francisco, que coordenou o trabalho de investigação para a prisão do traficante.Os telefonemas gravados pela polícia com autorização da Justiça revelam ainda as ligações do traficante com espanhóis, italianos, colombianos e porto-riquenhos moradores em Madri, na Sicília (Itália) e nos Estados Unidos. Mostram ainda os negócios com Beira-Mar que está preso em Bangu 1. "Os diálogos de Daniel com Beira-Mar e cúmplices, fora e dentro das prisões, mostram bem a movimentação de dinheiro e do volume de cocaína mandada para o exterior", disse Reino Francisco.O policial revelou que Georges, nascido em Ponta Porã e morador em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, tinha uma missão importante a cumprir. Durante os dois meses que morou em um andar inteiro de um hotel dos Jardins, recebeu a visita de um tenente dos grupos paramilitares da Colômbia e deveria mandar matar quatro traficantes das Farc que negociam cocaína com Beira-Mar e outros traficantes brasileiros. "São informações passadas por ele que devem ser investigadas", disse o delegado.Em São Paulo, Georges fez dos bingos da cidade seu escritório. Nas mesas de jogos fazia as transações para o recebimento de dinheiro e de encomendas de cocaína. Ele disse aos investigadores que quando há necessidade de discutir pessoalmente os negócios prefere os lugares movimentados. A polícia soube que Georges estava em São Paulo após receber denúncia que se hospedara num hotel e pagara adiantado por um andar inteiro. Queria privacidade e quando venceu o mês alugou novamente todos os apartamentos por mais 30 dias.O esquecimento do segredo do cofre e a perda da chave foram fundamentais para a descoberta das atividades do narcotraficante. Quando um chaveiro abriu o cofre viu os US$ 500 mil que o traficante tinha. Georges respondeu a processos por tráfico na Justiça Federal, em São Paulo. Ficou preso mais de um ano nas celas da Polícia Federal e na Penitenciária de Guarulhos. No fim do processo foi absolvido.

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