Amiga de Suzane desmente depoimento de Andreas

Primeira testemunha da defesa de Suzane von Richthofen a depor, Fernanda Soel Kitahara, colega de faculdade da ré, desmentiu Andreas von Richthofen, dizendo que a arma encontrada no ursinho de pelúcia era sim do irmão da ré. Em seu depoimento, Andreas disse que a arma tinha sido dada a Suzane por Daniel Cravinhos e que não era dele, como dizia a irmã.Segundo a jovem, Suzane contou que Daniel recebia a influência do espírito de um amigo morto, chamado Nego ou Negão. No Dia de Natal, Suzane contou à amiga que Daniel falava não ter mais jeito de ficar do jeito que estavam. Daniel dizia à namorada ser perseguido pelo espírito do amigo e que a única forma de ter paz era com um sacrifício. "E esse sacrifício teria que ser os pais dela", disse Fernanda, em seu depoimento no Fórum Criminal da Barra Funda, onde acontece o julgamento de Suzane, Daniel e do irmão dele, Christian, réus confessos do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen.A testemunha também relatou que o casal Richthofen era contra o namoro da filha com Daniel Cravinhos. "Suzane mentia para os pais para encontrar Daniel", disse Fernanda. Segundo ela, Suzane tentou fugir para morar na casa de Daniel, mas os pais dele não aceitaram e, por isso, ela voltou para a casa. A amiga de Suzane também disse que a ré contou ter perdido a virgindade com Daniel. "Ela me contou que tinha ficado com dois ou três rapazes antes, mas que namorado, ele foi o primeiro", disse. Segundo Fernanda, Suzane não tinha outros amigos na faculdade e que apenas uma vez saiu com colegas do curso de Direito, pois Daniel tinha muito ciúme. "Ela falava bastante do namorado, gostava muito dele.Sabia que eles conviviam muito juntos, que ela saía da faculdade para se encontrar com ele". Segundo Fernanda, tudo o que Suzane fazia para ele, fazia por gosto. A amiga contou que Suzane mentia para os pais para poder e encontrar o namorado, com quem bolava as desculpas. "Sabia que Suzane costumava dizer para os pais que viajaria comigo, mas que ela ficava na casa do Daniel".Amiga íntima de Suzane, Fernanda disse saber que ela tinha problemas com os pais por causa de notas na faculdade e relacionamento com Daniel. Nas férias de julho de 2002, Fernanda disse que ela e Suzane ficaram bastante próximas e que ela freqüentava sempre a casa dos Richthofen, onde Daniel sempre estava. A jovem percebia que Daniel se sentia à vontade na casa dos Richthofen e sabia que ele e Suzane usavam maconha. No dia da reconstituição, Fernanda contou que Suzane mandou-lhe uma carta por Andreas. "Ela me respondeu dizendo que teria visita de Natal e que tinha direito a duas pessoas e gostaria que o Andreas e eu fôssemos".O depoimento de Fernanda começou por volta de 16h20 e foi encerrado às 18h36, quando o juiz determinou um pequeno intervalo. Na seqüência, serão ouvidas outras quatro testemunhas.AcareaçãoAo chegar ao Fórum da Barra Funda, o advogado Adib Geraldo Jabur, que defende os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, disse que ainda irá avaliar a necessidade da acareação entre seus clientes e a outra ré, Suzane von Richthofen. O procedimento já foi considerado dispensável pelo Ministério Público, que acredita que os depoimentos das testemunhas de acusação, colhidos ontem, já tenham sido suficientes para corroborar sua tese. Caso a acareação não aconteça, o julgamento poderá ser agilizado em pelo menos 5 horas, afirma o MP. Por estes cálculos, a sentença seria proferida na quinta-feira à noite. Caso contrário, o julgamento terminaria somente na sexta-feira. A mãe dos Cravinhos, Nadja, daria o primeiro depoimento - na condição de testemunha de defesa de Christian. Seria a primeira vez que ela se pronunciaria oficialmente no processo. A pedido do juiz Alberto Anderson Filho, três testemunhas de Daniel foram ouvidas antes de Nadja. Somente depois desses depoimentos, o juiz decidirá se haverá ou não acareação entre os réus. O assistente da acusação Alberto Zacharias Toron afirmou nesta quarta-feira, 19, durante o intervalo do julgamentode Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, no Fórum Criminal na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, que uma acareação entre Daniel e Suzane poderá ser desnecessária para o processo. "O júri e os jurados já estão maduros. Já temos provas mais do que suficientes para poder iniciar o julgamento com os debates. Talvez ao término do depoimento das testemunhas de defesa, nós venhamos a desistir da acareação. Em todo o caso, só tomaremos uma posição definitiva após ouvir todas as testemunhas de defesa", afirmou Toron. Segundo ele, se ocorrer a acareação e ela for demorada, o julgamento só será concluído na sexta-feira. ContradiçõesEm seus interrogatórios, Daniel, Christian e Suzane entraram em contradição. Daniel Cravinhos inocentou seu irmão, Christian, dizendo que matou sozinho o casal Richthofen. Christian repetiu a versão do irmão, dizendo que apenas confessou o crime para protegê-lo. Suzane, por outro lado, se defendeu das acusações de Daniel, segundo quem ela teria fumado maconha antes de conhecê-lo e não era mais virgem. Suzane rebateu as declarações, dizendo que apenas conheceu as drogas após começar o namoro com Daniel. CrimeSuzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas. (Colaborou: Ellen Fernandes)Ampliada às 19h00

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