Amigo de Celso Daniel trocou tiros com seqüestradores

Sérgio Gomes da Silva, o amigo do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), que estava com ele no momento do seqüestro, acredita que ele próprio seria o alvo dos criminosos, segundo relatou ao delegado Maurício D?Oliva, do 26º Distrito Policial, no Sacomã, onde o caso foi registrado. Dono de uma empresa de ônibus do bairro da Vila Prudente, na zona leste, chegou a trocar tiros com os seqüestradores. Ele estava armado com uma pistola Taurus, calibre 380.Silva foi denunciado por ligações suspeitas com empresas fornecedoras da prefeitura de Santo André. Ele teria recebido R$ 272 mil de uma empresa de Ronan Maria Pinto, que presta serviços à prefeitura. Silva também é co-proprietário do empresário em dois imóveis - com valor declarado de R$ 280 mil. Ronan é dono, entre outras empresas, da Rotedalli Serviços e Limpeza urbana, que tem contratos de pelo menos R$ 1,7 milhão com a prefeitura de Santo André. Parte deles, no valor de R$ 526 mil, foi feita sem licitação, segundo reportagem publicada em O Estado de S. Paulo, em abril de 2000 (leia a reportagem).A Rotedalli foi constituída em Catanduva (SP) em 20 de novembro de 1996, 40 dias antes de Celso Daniel assumir o cargo. De lá para cá, seu capital social declarado passou de R$ 562 mil para R$ 4,1 milhões. Além da Rotedalli, duas outras empresas de Ronan - Coxipó Transportes Urbanos, com sede em Cuiabá, e Transporte Vila Prudente (Transvipa), com sede em São Paulo - pagaram a Silva.Sombra - A relação comercial entre Silva e Ronan começou em 1997 - ano em que Celso Daniel iniciou seu segundo mandato. No primeiro (88/92), Silva era assessor do prefeito. Também assessorou Daniel nos dois anos em que exerceu mandato de deputado federal (95/96). Sua proximidade com o prefeito rendeu-lhe o apelido de Sérgio Sombra. Entre 1997 e 1998, Silva recebeu cinco pagamentos das empresas de Ronan. Nos três efetuados em 1997, o ex-assessor de Celso Daniel recebeu R$ 142 mil da Transvipa, da Coxipó e da Rotedalli. Nos dois efetuados em 98, recebeu R$ 130 mil da Transvipa e da Rotedalli. No fax registrado em cartório, o empresário não especifica que consultoria Silva prestou às empresas. O empresário confirmou a co-propriedade (com Silva e sua mulher, Adriana Pugliese) "de um imóvel em Santo André".Certidões do Cartório de Registro de Imóveis de Santo André mostram que são dois imóveis. O primeiro, no valor declarado de R$ 200 mil, é um terreno de 805 metros quadrados no bairro do Paraíso. O segundo, no valor declarado de R$ 80 mil, tem 400 metros quadrados e fica na Rua Juazeiro, no mesmo bairro. As escrituras de ambos datam de 25 de junho de 98. Ronan ressaltou, no fax, que, "embora conheça" Silva, desconhece "o fato de o mesmo haver ocupado cargo de assessor na prefeitura de Santo André". O mesmo fax esclarece que ele tem residência fixa em Santo André desde 1984.Além da relação comercial com Ronan, Silva tem ligações com dois empresários que já fizeram negócios com Ronan e também são contratados da prefeitura de Santo André. São eles Henrique Augusto Mascarenhas Júnior e Vanderlei Bueno, donos, entre outras empresas, da Prize Serviços de Segurança. Em fevereiro de 1998, os dois compraram de Ronan a Empresa de Ônibus Vila Ema. Silva usa uma Blazer que está em nome de Mascarenhas. Além disso, já morou, com a mulher, em imóvel que já foi endereço residencial dos dois empresários (Rua Rui Barbosa, 130, em Santo André).

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