Facebook/Reprodução
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Amigos de brasileiro morto em Sydney organizam protesto em São Paulo

De acordo com campanha feita no Facebook, Roberto teria sido perseguido pela polícia acusado de roubar pacote de bolacha

20 Março 2012 | 11h47

SÃO PAULO - Amigos e familiares de Roberto Laudisio, estudante morto por policiais em Sydney no último domingo, organizam um protesto para a tarde do dia 30 de março, em frente ao Consulado Geral da Austrália em São Paulo. Os participantes estão sendo convocados por Facebook e devem levar um pacote de bolacha para ser deixado no consulado. Também está programado um minuto de silêncio durante a manifestação.

"Roberto Laudisio não precisava pegar e tão pouco roubar e todos nós sabemos disso. Já que foi morto por um pacote de biscoitos, devolveremos o quanto podermos de pacotes de biscoitos para este país de 1º mundo que se chama Austrália", diz o convite feito no Facebook a mais de 5,5 mil pessoas. Na rede social, amigos do estudante o homenageiam em seus perfis. A página de Roberto no Facebook foi apagada após a divulgação de que ele era a vítima brasileira morta na Austrália.

O cônsul-adjunto do Brasil na Austrália, André Luís Costa Souza, classificou de 'desmesurado' o possível motivo da morte do estudante brasileiro Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, no domingo. Nesta terça-feira, 20, em entrevista ao jornal Bom dia Brasil, da TV Globo, o cônsul afirmou que os motivos do uso das pistolas de choques elétricos por parte da polícia da Sidney ainda estão sendo investigados. "Esse é o questionamento da imprensa local. É algo que a gente espera seja logo elucidado. As circunstâncias da morte. Porque, em princípio, se confirmado, é algo desmesurado. Um disparo de taser já é muito forte. Vários disparos transformam o taser em uma arma letal", afirmou André.

Perseguição

Imagens de câmeras de segurança foram divulgadas na segunda-feira mostrando policiais agarrando um homem na rua. O homem consegue se libertar dos policiais e fugir, mas então é perseguido e um dos policiais parece apontar uma arma de taser contra ele. Segundo o jornal Sydney Morning Herald, o brasileiro foi visto correndo sem camisa e de mãos vazias por uma rua de Sydney, sendo perseguido por até seis policiais. Ele teria gritado por socorro enquanto um policial disparou a arma de taser contra as costas do brasileiro.

Quando ele caiu no chão, os policiais pularam em cima do jovem, que já tremia devido à descarga elétrica da arma. Uma testemunha afirmou que foram feitos mais três disparos com a arma de taser enquanto o homem gritava e tentava se soltar. "Foi neste ponto que os gritos pararam... Pensei que ele tinha desmaiado", disse a testemunha segundo o Herald de segunda-feira. "Não pensei que ele tinha morrido", acrescentou.

A testemunha, que falou com a polícia mas pediu para não ser identificada, afirmou que estava saindo de um táxi quando viu os policiais perseguirem um homem pela rua, por volta das 5h30 da manhã de domingo. "O homem estava sem camisa e estava correndo o mais rápido que podia", disse. "As calças dele estavam caindo. Pensei que ele estava apenas bêbado... e a polícia estava tentando pegá-lo." A testemunha afirmou que a polícia dominou o homem contra uma parede, em frente a um café e houve luta corporal.

"Ele já estava no chão e eles estavam segurando-o, ele estava gritando, havia muitos sons do taser. Em um momento ouvi ele gritar 'socorro' e continuou gritando e tentava reagir." A testemunha disse ainda que ouviu três ou quatro ruídos vindos da arma de taser durante a luta e então os gritos pararam.

Roberto estava na Austrália desde julho do ano passado, onde estudava inglês, e morreu após policiais usarem armas que disparam choque para contê-lo, por achar que o jovem havia roubado um pacote de bolacha em uma loja de conveniência no centro de Sydney.

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