Amizade de magistrados preocupa vítimas do Palace 2

Os advogados das vítimas do Palace 2 obtiveram indícios de que a relação entre as famílias do desembargador Paulo Gustavo Rebello Horta e do juiz Alexander Macedo vem de longa data o que, para eles, pode comprometer a avaliação do desembargador no julgamento de Macedo. O juiz está sendo investigado por supostos erros no encaminhamento do processo de indenização do caso Palace 2.Os advogados já sabiam do cargo comissionado que a filha do juiz, Carmen Lúcia, exerce no gabinete do procurador geral do Município, Júlio Rebello Horta, filho do desembargador Paulo Horta. Agora, souberam que o juiz foi vice-presidente do Departamento Jurídico do Fluminense entre 1975 e 1977, quando o primo do desembargador, Francisco Horta, presidia o clube de futebol."Recebemos a informação ainda de que o Francisco Horta indicou o Alexander Macedo para a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro no primeiro governo de Leonel Brizola (1983-1987), mas estamos apurando", afirmou o advogado das vítimas Nélio Andrade.Francisco Horta negou a indicação. "Eu era deputado da oposição", disse.O presidente do Tribunal de Justiça, Miguel Pachá, disse que os desembargadores não julgam por suas relações, e sim pelo Direito. "O fato de um juiz ser amigo de um desembargador não é a razão (para o impedimento) porque não temos juízes inimigos", afirmou.Desde o mês passado, as vítimas do Palace 2 pedem que Paulo Horta se declare impedido. Eles alegaram inicialmente que o desembargador já havia se pronunciado a favor de Macedo no caso da liberação de dinheiro da conta judicial dos ex-moradores para o pagamento de indenização trabalhista.

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