Amontoadas, presas só têm 1 copo d?água por dia

Detentas que estavam no interior com homens vão para presídio de Belém sem infra-estrutura

Carlos Mendes, O Estadao de S.Paulo

30 Novembro 2007 | 00h00

O Centro de Recuperação Feminino (CRC), em Ananindeua, na região metropolitana da capital paraense, para onde estão sendo levadas presas do interior do Estado que dividiam celas com homens, não tem condições de abrigá-las. O local está superlotado e as recém chegadas denunciam que só têm direito a meio copo com água duas vezes por dia. "Há péssimas condições no trato com essas presas, que estão amontoadas pelas celas", disse a conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Pará, Valena Jacob. Ela esteve ontem pela manhã no local juntamente com representantes da Ouvidoria do Estado e Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, fazendo uma vistoria. O trabalho começou na quarta-feira, quando 11 presas foram ouvidas e relataram casos de violência física, moral e até de extorsão praticada por policiais em delegacias do interior. Além dos problemas, algumas presas contaram à comissão que estariam se sentindo ameaçadas pela direção do CRC e recebendo recados de policiais para não falarem nada contra a direção do presídio, seja aos próprios integrantes da comissão ou a jornalistas. "Não há estrutura adequada nem clima aqui dentro para que elas sejam ouvidas e relatem tudo o que sofreram nas prisões do interior ou mesmo os problemas que enfrentam no CRC", enfatizou Valena Jacob. Os depoimentos começaram a ser tomados no fim da manhã na sede da OAB, para onde dez presas foram conduzidas. Os deputados federais integrantes da Comissão Externa do Congresso que apura o caso da menor L. criticaram ontem, durante entrevista, a postura da Justiça paraense, dizendo que, apesar de inúmeras tentativas, eles retornam a Brasília sem ter conseguido falar com ninguém do Judiciário. "É lamentável. Todos sumiram e nem a juíza da cidade se manifestou", disse a presidente da Comissão, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP). A juíza Clarice Maria de Andrade, de Abaetetuba, que abriu processos contra a menor L. como se ela fosse adulta, será convocada a prestar esclarecimentos na CPI do Sistema Carcerário. A deputada Jusmari Oliveira (PR-BA) anunciou a convocação durante audiência de integrantes da CPI com a governadora Ana Júlia Carepa. A presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Albanira Bemerguy também será convocada pela CPI. Jusmari disse que recolheu documentos de mais quatro casos de outras mulheres presas na mesma delegacia com homens.

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