Amorim e embaixador espanhol darão explicações à Câmara

Ministro das Relações Exteriores será chamado para discutir problema diplomático entre Brasil e Espanha

Felipe Recondo, da Agência Estado,

09 de março de 2008 | 16h49

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, serão chamados, nesta semana, pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados para explicar a deportação de brasileiros em viagem à Europa.   VEJA TAMBÉM  Mal-estar com Espanha dificulta entrada livre de europeus  De cada 5 barrados em 2007 na Espanha, 2 eram brasileiros   'Me sinto um animal abandonado', diz brasileiro retido em Madri  Saiba como agir se for barrado em aeroporto  Brasil deve adotar medidas contra espanhóis?     A convocação do embaixador, vedada pelo regimento interno da Casa, será mediada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que defendeu na semana passada que o embaixador explique os incidentes com os brasileiros na Espanha. Porém, para não prejudicar as relações diplomáticas entre os dois países, Chinaglia pretende consultar Amorim antes de decidir se convidará Peidró.   A comissão quer ouvir ainda o testemunho de brasileiros que foram barrados no aeroporto de Madrid e em seguida deportados. Na semana passada, os deputados já aprovaram a convocação de Patrícia Camargo Magalhães, 23, mestranda de física da Universidade de São Paulo (USP), proibida de entrar na Espanha. Nesta segunda-feira, 10, os integrantes da comissão vão discutir se chamam brasileiros que integravam o grupo de 30 pessoas barradas na Espanha na última quarta-feira.   "Fora o problema de ter barrado os brasileiros, tem o problema do preconceito, dos maus-tratos contra os brasileiros", critica o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), um dos autores do requerimento para chamar Amorim e Peidró.   De acordo com o embaixador espanhol, em 2007, 3.137 brasileiros tiveram a entrada na Espanha negada. Os números, admite Peidró, são elevados em termos absolutos, mas ele nega que haja discriminação por parte das autoridades da Espanha. Em carta encaminhada à Comissão de Relações Exteriores do Senado, Peidró afirmou que Patrícia Magalhães "não foi admitida porque não portava documentação que justificasse o motivo e a viabilidade de sua viagem".   Além da situação dos brasileiros e das medidas diplomáticas que o governo adotou, Amorim terá de explicar também a deportação dos sete espanhóis que tentaram desembarcar no aeroporto de Salvador (BA) na semana passada. Os integrantes da comissão querem saber se o incidente foi corriqueiro ou se foi uma retaliação do governo brasileiro.   O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, confirmou no final de semana que o Ministério da Justiça determinou um reforço na fiscalização sobre os espanhóis que chegam ao Brasil. De acordo com ele, a decisão não seria uma retaliação, mas a reciprocidade no tratamento dado aos brasileiros na Espanha.

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