Amorim fica no 2.° mandato e inicia mudanças no Itamaraty

Com sua cadeira de chanceler garantida para o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Celso Amorim iniciou nesta quarta-feira a reestruturação do Itamaraty pela demissão de Roberto Abdenur, seu amigo há 40 anos e um dos mais experientes diplomatas em atividade, do principal posto no exterior - a embaixada em Washington. Amorim também deu os primeiros passos para a renovação dos postos de mando na Casa com a nomeação do embaixador Roberto Jaguaribe para a subsecretaria de Assuntos Políticos-2 e a indicação, ainda extra-oficial, de ministro Roberto Azevêdo para a subsecretaria de Assuntos Econômicos e Tecnológicos (SGET).As iniciativas dispararam uma série de rumores do Itamaraty e no Palácio do Planalto, onde a demissão de Abdenur tornou-se tema do dia. Mas, por enquanto, a única posição considerada como certa para segundo mandato é a permanência da trinca que conduz a política exterior do governo Lula - o próprio chanceler Amorim, o secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Pelo menos, no começo dessa nova fase.Nesta quarta, o Itamaraty teve o cuidado de rebater parte dos rumores, especialmente os que envolviam a "remoção" de Abdenur para Brasília, onde não há nenhum posto reservado de antemão para ele. "A remoção foi norma, roteineira e decorreu do esgotamento do prazo de permanência do embaixador no exterior", afirmou o próprio Amorim, por meio da assessoria de imprensa do Itamaraty. "Não foi política, mas administrativa", completou. No primeiro semestre, esgotou o prazo de permanência de um embaixador em postos no exterior - de dez anos, com dois anos de prorrogação.Fontes da diplomacia, entretanto, asseguraram que essa regra somente é aplicada quando o chanceler assim decide e que a saída de Abdenur era carta marcada. Em abril deste ano, Abdenur abriu um flanco de divergências com seu superior hierárquico - Amorim - ao defender publicamente que é uma ilusão o Brasil considerar que pode ter uma parceria estratégica com a China e criticar o fato de o governo brasileiro ter reconhecido esse país como economia de mercado.A decisão abriu a temporada de especulações sobre a substituição de Abdenur no principal posto diplomático no exterior. As apostas da diplomacia pousaram sobre as cabeças de Ronaldo Sardenberg, atual representante do Brasil nas Nações Unidas e ex-ministro de Ciência e Tecnologia no governo Fernando Henrique Cardoso, e de Mauro Vieira, embaixador do Brasil em Buenos Aires e ex-chefe de gabinete de Amorim. No Itamaraty, também é dada como certa a indicação do atual subsecretário de Assuntos Políticos-1, Antônio Patriota, para substituir Sardenberg nas Nações Unidas.

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