Ampliação de heliponto gera protestos na zona sul Rio

De acordo com uma das moradoras da região, 'ninguém aguenta mais tanto barulho'; cidade tem a segunda maior frota do País, perdendo apenas para São Paulo

Fábio Grellet / RIO, O Estado de São Paulo

20 Julho 2012 | 19h36

Enquanto moradores da zona sul do Rio se unem para cobrar do poder público a redução da circulação de helicópteros naquela região, o governo do Estado anuncia que parte de um terreno que iria sediar um parque será usado para a ampliação de um heliponto à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas. O novo espaço será reservado para quatro aeronaves da Polícia Civil, mas moradores da vizinhança afirmam que o principal beneficiário será o governador Sérgio Cabral (PMDB), que usa helicóptero para cumprir sua agenda diária. No sábado, 21, os cerca de 300 integrantes do Movimento Rio Livre de Helicópteros sem Lei vão promover um protesto em frente ao terreno a ser ocupado pelo novo hangar.

"Ninguém aguenta tanto barulho (de helicóptero). Parece que tenho uma avenida em cima da minha cabeça", compara a professora de ioga Débora Weinberg, de 45 anos, moradora do Humaitá (zona sul). "Os helicópteros são cada vez mais procurados por turistas e empresários, e por isso o número de voos aumentou muito nos últimos meses. São mais de 200 (voos) por dia na zona sul. Em fevereiro decidi reclamar, e percebi que não estava sozinha", conta Débora, coordenadora do movimento. No Rio existem 386 aparelhos – é a segunda maior frota do País, perdendo apenas para São Paulo, que tem mais de 650.

"Não somos contra helicópteros para emergências médicas ou serviço dos bombeiros ou da polícia. Mas a maioria desses aparelhos serve o governador ou grupos de quatro turistas, e para isso acaba com o sossego de milhares de moradores, porque sobrevoa muitos prédios", diz.

Segundo Débora, o movimento conseguiu que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão vinculado ao Ministério da Defesa, proibisse o uso de uma rota, em fevereiro, e isso reduziu o movimento de helicópteros. "Mas o governador continua usando, porque ele tem prerrogativas e não precisa respeitar a proibição", reclama Débora. "A gente sabe (que é o governador) porque ele usa um helicóptero que não tem esquis, mas sim trem de pouso, com rodas", afirma. "Não sei se o governador está dentro (do aparelho), mas é o helicóptero à disposição dele que mais circula pela rota proibida", afirma.

Em 28 de maio dois helipontos (na Urca e em Botafogo) foram lacrados pela Secretaria Estadual do Ambiente por falta de documentação. Eles continuam sem funcionar, mas nesta semana a Secretaria da Casa Civil anunciou a ampliação de outro heliponto, que o governo do Estado mantém na Lagoa. Um terreno público de 20 mil metros quadrados, antes ocupado por uma empresa particular, seria agora inteiramente destinado à construção de um parque, mas o Estado decidiu usar 4 mil metros quadrados para a ampliação do heliponto. Ainda não há data para execução nem custo estimado. A obra não vai aumentar o número de voos, diz o governo, porque o espaço só servirá como garagem. Na área restante será construído um parque. Consultado sobre o uso de helicópteros por Cabral, o governo do Estado não se manifestou até o fechamento desta edição.

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