Anac diz que situação se normalizará até domingo

Apesar dos tumultos gerados por atrasos e filas nos aeroportos, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, disse, em entrevista, que a situação "está sendo normalizada" e que o caos observado nos últimos dias não irá se repetir no feriado de ano novo. Zuanazzi informou que, desta vez, o problema maior foi da TAM por "desajuste entre a necessidade e a capacidade de transportar passageiros", ou seja, havia mais passageiros que o número de aviões disponíveis na empresa aérea para transportá-los. De acordo com Zuanazzi, durante a semana, a Anac pretende fazer uma checagem completa em todas as companhias aéreas para que o problema seja debelado com antecedência. "Na semana que vem vamos explicar exatamente o que houve", assegurou ele.Até às 10h30 deste sábado, dos 675 vôos previstos em todo o País, 300 (44%) estavam com atrasos superiores a uma hora. Outros 14 vôos haviam sido cancelados. Segundo Zuanazzi, os maiores problemas estavam concentrados em Brasília e no Rio de Janeiro, onde a TAM estava com 16 vôos fora do horário, desta vez por falta de tripulação e não mais de aeronaves. Durante todo o sábado, cinco aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continuavam a fazer linhas da TAM para Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Maceió. A Anac estava concentrada, no final da manhã, em resolver o problema de decolagem de uma avião da TAM de Brasília para São Luis, onde havia passageiros que esperavam há mais de 48 horas pelo embarque. "Esta é a nossa prioridade", avisou.Ano-novoCom a checagem em todas as centrais de reservas das companhias aéreas brasileiras, durante esta semana, para verificar se há mais passageiros do que vôos - o overbooking - a Anac espera que não haja novos problemas nos feriados de ano novo, embora o presidente da agência ressalve que imprevistos podem acontecer. "O que pode acontecer de novo? Não tenho capacidade de prever algo de novo. Todos os problemas que ocorreram, um foi diferente do outro e, em cada um, fomos resolvendo", declarou o presidente da Anac. "Mas posso assegurar que o problema deste final de semana não ocorrerá de novo."Zuanazzi disse ainda que companhias que não cumprem as regras naturalmente serão punidas. Mas não informou o que acontecerá com a TAM por ter vendido mais passagens do que assentos disponíveis. "Estamos, primeiro, resolvendo o problema dos passageiros. Depois resolveremos as demais questões", declarou ele, esclarecendo que os passageiros dispõem de órgãos para apresentar suas queixas."A previsão é boa para todos os aeroportos até o fim do dia. Brasília e Rio é que talvez atrasem mais." Quanto à suspensão das vendas de passagens da TAM, Zuanazzi disse que, tão logo sejam superados os problemas, a companhia poderá voltar a vender os bilhetes.O presidente da ANAC admitiu ainda que, durante a noite, houve problema no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo 2 (Cindacta 2), em Curitiba, o que gerou a necessidade de retenção de fluxo, "por causa da troca de escala de controladores de vôos". Mas, segundo ele, os problemas duraram uma hora e meia e, depois, foram resolvidos. Durante a madrugada de sábado, controladores de vôo informaram que fizeram controle de fluxo em Brasília por falta de pessoal. As decolagens estavam sendo feitas de 10 em 10 minutos. A FAB negou que houvesse qualquer redução nos horários de pousos e decolagens. CulpadosDurante um evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está sendo realizado um esforço para que até domingo, dia de Natal, se consiga desafogar os aeroportos brasileiros. Ele enfatizou ainda que este "não é o momento de achar culpados", mas sim de resolver o problema. "Depois é que nós vamos procurar saber quem são os culpados", afirmou aos jornalistas, admitindo que a quebra da Varig deixou uma lacuna no setor aéreo que, entre outros fatores, vem contribuindo para esse ambiente nos aeroportos.O presidente antecipou ainda que pediu ao ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, que realize uma discussão em torno de um projeto para redistribuir a ocupação do espaço aéreo brasileiro. De acordo com Lula, as empresas do setor também serão chamadas ao debate, para que se encontrem alternativas que resultem em uma maior oferta de aeronaves para atender a população.

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