Anac prevê fim de ano conturbado; Aeronáutica discorda

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, e o presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, discordam sobre as perspectivas do controle aéreo brasileiro para as festas de fim de ano. Bueno afirmou que não haverá problemas no controle do tráfego aéreo durante o Natal e o Reveillon. Por outro lado, o presidente da Anac afirmou que a agência está estudando a redistribuição de vôos que estão concentrados em horário de pico, como uma das medidas para solucionar os problemas da aviação civil e os atrasos registrados nos aeroportos do País.As afirmações foram feitas durante a reunião entre o ministro da Defesa, Waldir Pires, o presidente do Sindicato dos Controladores de Vôo, Jorge Botelho, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Marco Antonio Bologna, e os representantes da Aeronáutica e da Anac, na sessão conjunta das Comissões de Infra-Estrutura e de Relações Exteriores e Defesa Nacional, no Senado. "Já temos gente suficiente para o final de ano. Os senhores não precisam ficar preocupados com os períodos de férias", declarou o Bueno. Segundo ele, a Aeronáutica trouxe para Brasília 14 operadores de outros Estados, e outros estão sendo contratados. Bueno assegurou que, até o final do ano, o serviço de controle do tráfego aéreo vai dispor de 54 controladores a mais.Bueno disse que a Aeronáutica foi "surpreendida" com a reação psicológica dos controladores ao acidente com o Boeing da Gol, quando 154 pessoas morreram. Ele comentou o tráfego aéreo brasileiro nunca tinha registrado um acidente tão grave, mas reiterou que em 16 países, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, já houve colisões semelhantes à que envolveu um jato Legacy e o Boeing da Gol. Luiz Carlos Bueno afirmou ainda que o sistema de controle aéreo do Brasil é "dos mais seguros do mundo".Por outro lado, o presidente da Anac disse também que está em estudo a definição de horários fixos para vôos charter. Ele admite que não há solução de curto prazo para a crise no tráfego aéreo brasileiro, "porque não tem controlador (de vôo) na esquina", explicou. E por conta disso admite que não há condições para assegurar que o problema será resolvido até as festas de fim de ano.ReajustesO presidente da Anac ressaltou que tudo está sendo feito para minimizar os problemas. Ele disse que o setor tem crescido muito, inclusive acima da economia. Em 2005, lembrou, o setor cresceu 26% e em 2006 13%, enquanto a economia teve um crescimento de 3%.De acordo com Zuanazzi, a Anac, em conjunto com as companhias aéreas, já está promovendo um ajuste de horários dos vôos, nos aeroportos, com o objetivo de reduzir a concentração em determinados períodos. Segundo ele, até agora já foram ajustados 91 horários, de uma malha aérea que contém 1.340 vôos diários, em média. "Parece pouco, mas isso mostra que esses ajustes podem ser feitos", apontou Zuanazzi. Ele explicou, na audiência pública no Senado, que essa mudança de grade horária não é tão simples quanto parece, porque as companhias aéreas devem atender também à demanda das pessoas. "A maior parte dos executivos quer voar no início da manhã e no final da tarde. E as empresas têm liberdade, tanto de fixação de horários, quanto de tarifas e precisam equilibrar os seus negócios, dentro dessa realidade". Ele ressaltou, no entanto, que as empresas não estão se recusando a conversar.Zuanazzi atribuiu os transtornos nos aeroportos ao modelo de sistema integrado da aviação comercial. Segundo ele, atualmente as aeronaves são utilizadas na sua capacidade máxima, fazendo conexões em várias cidades.Ele citou como exemplo o fato de as tempestades no sul e sudeste do País, no último domingo, terem provocado o fechamento do Aeroporto de Congonhas por três horas, o que causou atrasos de até seis horas a pessoas que iam sair do Nordeste. Por fim, Zuanazzi negou que a Anac autorize novos vôos sem ouvir o Departamento de Proteção ao Vôo da Aeronáutica. "Efeito dominó"A melhora da eficiência operacional das companhias aéreas Nos últimos anos - com o aumento do número de horas voadas por avião - é uma das principais razões do "efeito dominó" dos atrasos no País. Há três anos, a média diária de utilização de avião era de cerca de 9 horas para toda a indústria. Hoje, TAM e Gol, que detêm 86% do mercado, colocam seus equipamentos no ar durante 13 e 14 horas por dia, respectivamente. Como o mesmo avião faz vários vôos por dia, um atraso em um aeroporto - seja por conta de um nevoeiro, um pneu furado na pista ou uma operação - padrão de controladores de vôo - provoca atrasos em todo o País. "O aumento de utilização de frota é bom para as companhias, mas não para o sistema de transportes do País", diz um analista que prefere não se identificar. O padrão de 14 horas é adotado por companhias lowcost (baixo custo) européias, que voam de aeroportos secundários. Grandes empresas, como Air France e British Airways, e que utilizam aeroportos mais congestionados, usam seus aviões por até 11 horas, justamente para evitar transtornos em série. No Brasil, o aumento de horas voadas por equipamento foi introduzido pela Gol. Apesar de ter sido lançada como uma empresa lowcost, a Gol opera dos principais aeroportos, e não difere muito da TAM em termos de tarifa. Os constantes atrasos nos vôos e as incertezas em relação à segurança do espaço aéreo já afeta a taxa de ocupação do setor. Nos primeiros 15 dias de novembro, a taxa de ocupação na TAM foi de 67%, e da Gol, 68%, revela estudo preliminar do consultor de aviação Paulo Sampaio. No acumulado de janeiro a setembro, as duas exibiram média de 74% e 75%, respectivamente.Esta matéria foi atualizada às 15h para acréscimo de informações.

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