Anac propõe criação de poltronas para obesos e altos

Agência faz sugestão após pedido do ministro Nelson Jobim para ampliar espaço em avião

Marcelo de Moraes e Bruno Tavares, do Estadão,

31 Agosto 2007 | 08h26

Depois das críticas feitas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao pouco espaço reservado para os assentos nos aviões, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) instaurou, na quinta-feira, 30, consulta pública para definir novas regras e ampliar as poltronas de passageiros. Na exposição de motivos, a Anac afirma que a aprovação das novas poltronas garantirá que "a instalação entre os assentos de passageiros em aeronaves proporcionará um nível de segurança adequado ao ocupante, bem como benefícios ao passageiro, operador e à economia brasileira". O aviso de consulta pública foi publicado no Diário Oficial da União de quinta e é assinado pelo presidente da Anac, Milton Zuanazzi. Valerá para aviões com capacidade para 100 ou mais passageiros. A medida deixa claro que já passaram a prevalecer no órgão as posições do ministro Nelson Jobim, que recebeu carta branca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tomar as decisões que considerar necessárias para resolver a crise do sistema aéreo nacional.Pelo estudo da Anac, seriam criados duas subclasses dentro da classe econômica dos aviões. Os "assentos diferenciados tipo 1" seriam destinados a pessoas consideradas obesas - com índice de massa corpórea acima de 40 kg por metro quadrado, o equivalente a uma pessoa de 1,70 m e 115 quilos. Já os "assentos diferenciados tipo 2" teriam como público-alvo pessoas com estatura superior a 1,90 metro. Em ambas as configurações, a distância entre as poltronas seria de 81,28 centímetros. Hoje, as grandes empresas adotam, em média, 77,5 cm. A agência propõe que a largura desses assentos seja de 46,99 cm - ante os atuais 30,48 cm. Seriam quatro poltronas do "tipo 1" e outras quatro do "tipo 2". As demais seguiriam a especificação limite - 68,58 cm de distância.As empresas se comprometeram a avaliar a idéia e fazer sugestões. "Vamos estudar todas as alternativas, mas posso garantir que nosso objetivo é colaborar", afirmou o vice-presidente de Planejamento da TAM, Paulo Castello Branco. Questionado sobre o impacto da medida nos preços das passagens, ele disse ser prematuro fazer qualquer previsão. A exposição de motivos apresentada pela Anac para justificar as mudanças nas poltronas endossa a crítica feita por Jobim às companhias aéreas. "Devido ao elevado índice de reclamações em relação à exigüidade dos espaços entre as poltronas instaladas em classe econômica, das configurações de interior das aeronaves Categoria Transporte, e considerando o crescimento e a modificação antropométrica da população brasileira, a Anac foi levada a reavaliar as questões técnicas envolvendo o espaçamento entre assentos", cita a nota.Até 1º de outubro, a Anac deixará disponível no seu site o texto da consulta e sua exposição de motivos. Os interessados em apresentar sugestões poderão fazê-lo até as 18 horas do dia 1º de outubro.

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