Anac quer ampliar tempo de escala

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acredita ter encontrado uma saída para o caos nos aeroportos. Em vez de cortar vôos, como foi cogitado pela Aeronáutica, técnicos do governo estudam fazer com que os aviões cumpram uma parada mais longa no decorrer do percurso. O objetivo é evitar que os atrasos se multipliquem e afetem toda a malha aérea, como ocorreu há uma semana, quando o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) foi fechado por causa de fortes nevoeiros. O projeto estará pronto no fim do mês e deve ser colocado em prática no início de agosto. Hoje, as companhias aéreas levam, em média, 40 minutos para desembarcar os passageiros de um vôo e preparar a aeronave para uma nova decolagem. Mas, se por algum motivo a operação demora mais do que o previsto, toda a seqüencia de destinos - o chamado "trilho" - fica comprometida. "O mesmo avião que parte de Porto Alegre, por exemplo, faz seis ou sete escalas antes de desligar as turbinas", explica um executivo do setor. Como a grade horária é muito justa, um atraso ocorrido num aeroporto se alastra para os demais. Pela proposta da Anac, após um certo número de trechos - fala-se em três, mas eles podem variar conforme a rota -, a aeronave permaneceria no solo por mais tempo - de uma hora a uma hora e meia. Essa parada programada serviria para "zerar" eventuais atrasos anteriores. "É como se você tirasse uma peça antes de ter um efeito dominó", compara um funcionário da Anac. Segundo ele, os 67 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) têm condições de abrigar os aviões no pátio por mais tempo, exceto Congonhas, Cumbica e o de Brasília, nos horários de pico. Para amenizar os transtornos nesses três aeroportos, a estatal investirá nos setores operacionais, adquirindo mais ônibus e equipamentos de raio X e reforçando as equipes de pátio. Apesar de a proposta ser menos drástica do que reduzir vôos, a direção da Anac admite que, se aprovada, ela vai impactar as metas de lucro das empresas. "Estamos fazendo o possível para que isso não acarrete aumento de tarifa. Mas, caso ocorra, o reajuste será menor do que se fôssemos obrigados a enxugar a malha", afirma o funcionário da Anac. Antes de apresentar os resultados, os técnicos vão analisar os "trilhos" feitos por cada um dos 275 aviões comerciais em operação no País. O foco, porém, está na frota da TAM e da Gol, que, juntas, detêm 95% do mercado.

Bruno Tavares, do Estadão

09 Julho 2007 | 13h04

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